100 anos de jiu-jítsu brasileiro: da Zona Sul do Rio para o mundo

Em 2025, o jiu-jítsu brasileiro completa 100 anos desde sua criação na Zona Sul do Rio de Janeiro, marcado por campeonatos de vale-tudo e pelo desenvolvimento de uma identidade própria, que mistura técnica, filosofia e postura. A celebração será realizada em outubro, com um evento da família Gracie no Hotel Windsor, no Rio.

O historiador e ex-lutador de MMA, Robert Drysdale, destaca que o jiu-jítsu brasileiro se tornou o maior produto de exportação cultural do país, influenciando desde o UFC até celebridades internacionais, como Tom Hardy, Anthony Bourdain e Mark Zuckerberg.

A origem do esporte no Brasil ainda é tema de debate. Uma versão aponta que Carlos Gracie aprendeu com o judoca japonês Mitsuyo Maeda em 1916, enquanto outra sugere que seu mestre teria sido o paraense Jacyntho Samphaio Ferro. Independentemente da origem, Carlos Gracie levou seus conhecimentos para o Rio, onde disputas com capoeiristas, praticantes de savate e catch wrestling ajudaram a consolidar o estilo brasileiro.

Os Gracie reforçaram o enfoque em defesa pessoal, utilizando torneios informais conhecidos como Vale-Tudo. Suas vitórias chamaram a atenção de personalidades como Oscar Niemeyer e Roberto Marinho, atraindo alunos para a prática do esporte.

Hoje, a filosofia da defesa pessoal continua presente em academias como a Cia. Paulista de Jiu-jitsu, que treina desde crianças em programas anti-bullying até profissionais de segurança e atletas de MMA, incluindo o americano Quinton Jackson. O foco é imobilizar o agressor sem causar danos, mantendo o respeito e a camaradagem no tatame.

A expansão do jiu-jítsu brasileiro inclui a criação de campeonatos em São Paulo na década de 1970 e a internacionalização promovida pelos Gracie a partir de 1989, com academias nos Estados Unidos. No UFC, iniciado em 1993, o jiu-jítsu se tornou a base do MMA moderno.

Para Kyra Gracie, quarta geração da família, preservar a essência do jiu-jítsu — técnica, postura e conduta — é tão importante quanto formar campeões. Desde 2018, ela dirige a academia Gracie Kore, no Rio, e promove cursos de autodefesa, especialmente para mulheres, resgatando os princípios originais de Carlos Gracie.

Drysdale observa ainda que, nos EUA, cresce a prática do no-gi, ou jiu-jítsu sem quimono, marcando um novo desdobramento na história do esporte, que se mantém vivo e em constante transformação, mas sempre ligado à sua filosofia de defesa pessoal e ética no tatame.

Fonte: GQ

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