30 anos depois: corpos dos Mamonas Assassinas são exumados para criação de memorial em Guarulhos

por Redação

A exumação dos corpos dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas ocorre nesta segunda-feira (23), poucos dias antes de a tragédia aérea que matou a banda completar 30 anos, em 2 de março. A iniciativa foi acordada entre as famílias, que decidiram cremar parte dos restos mortais para transformá-los em adubo destinado ao plantio de cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, cidade onde os músicos moravam.

O anúncio foi feito em publicação conjunta nas redes sociais do BioParque e da banda. “Existem histórias que o tempo não apaga”, diz a mensagem. Segundo o comunicado, a proposta é que as cinzas contribuam para o desenvolvimento das árvores desde a semente, simbolizando continuidade, afeto e presença.

Grace Kelly Alves, irmã de Dinho (Alecsander Alves), esclareceu que os túmulos não serão extintos. A maior parte das cinzas permanecerá no local para visitação dos fãs, e apenas uma pequena porção será usada no plantio das árvores, que integrarão um memorial construído atrás dos túmulos. O espaço contará com mural e QR Code para acesso a conteúdos como textos, fotos e vídeos, com a proposta de criar um ponto de encontro e homenagem.

O projeto prevê que cada árvore seja identificada por um totem com QR Code contendo memórias do homenageado.

A banda, que marcou o rock cômico nacional com letras irreverentes e críticas veladas, estava no auge da carreira quando sofreu o acidente. Às 23h15 de 2 de março de 1996, o Learjet 25D (prefixo PT-LSD), fretado da empresa Madri Táxi Aéreo, colidiu contra a Serra da Cantareira, na aproximação para o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Morreram Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, além do piloto Jorge Luiz Germano Martins, do co-piloto Alberto Takeda, do roadie Isaac Souto e do segurança Sérgio Porto.

A investigação da Aeronáutica apontou que a aeronave se aproximava a cerca de 270 km/h, acima da velocidade recomendada de 210 km/h, e ligeiramente deslocada à esquerda da rota ideal. Após uma arremetida a 300 metros de altura, a tripulação realizou curva à esquerda, quando o procedimento exigia curva à direita, resultando na colisão. O relatório concluiu que houve imperícia operacional, fadiga da tripulação, falhas de comunicação com a torre e erro na execução do procedimento IFR.

Os destroços foram localizados apenas por volta das 5h da manhã de domingo, devido à escuridão e à neblina.

O impacto nacional foi imediato. Cerca de 30 mil pessoas passaram pelo velório no Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, em Guarulhos, e mais de 100 mil acompanharam o cortejo até o Cemitério Parque das Primaveras I. Os caixões foram posicionados lado a lado, cobertos com a bandeira do Brasil. No de Dinho, havia uma camisa do Corinthians.

Durante o cortejo, a Polícia Militar impediu a entrada da multidão no cemitério, gerando tumulto e 31 desmaios. Ao menos 500 pessoas acompanharam o enterro, realizado em 4 de março de 1996 — data em que Dinho completaria 25 anos. Na cerimônia, foi cantado “Parabéns a Você” em sua homenagem. A namorada de Dinho, Valeria Zopello, passou mal durante o sepultamento.

O primeiro e único álbum da banda, lançado em junho de 1995, vendeu 1,8 milhão de cópias em oito meses e cerca de 3 milhões no total histórico, figurando entre os maiores êxitos comerciais nacionais do período. O show em Brasília, no Estádio Mané Garrincha, foi o último da turnê. Após a apresentação, o grupo seguiu para o aeroporto e embarcou rumo a São Paulo.

Três décadas depois, a memória dos Mamonas Assassinas será marcada por um memorial que busca transformar luto em símbolo de continuidade.

Fonte: OGLOBO

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