Lucas Sanches comemora entregas herdadas e acumula promessas não cumpridas

por Redação

Nos primeiros sete meses à frente da Prefeitura de Guarulhos, o prefeito Lucas Sanches (PL) tem usado as redes sociais para celebrar um suposto recorde de inaugurações. Ele alega que nunca antes um prefeito entregou tantas obras em tão pouco tempo. Mas quem conhece o funcionamento da administração pública sabe que qualquer projeto — por mais simples que seja — exige etapas como planejamento, levantamento de custos, licitação, contratação e execução. Na prática, é praticamente impossível conceber e concluir uma obra de porte em menos de um ano.

Obras herdadas

Boa parte das entregas exibidas por Sanches foi, na verdade, planejada, executada e deixada praticamente pronta pela gestão anterior, comandada por Guti (PSD) — a mesma que ele tanto criticou. É o caso do Casarão da Nossa História, inaugurado oficialmente em dezembro; dos equipamentos de assistência social, saúde e atendimento a idosos em Cumbica, já concluídos e funcionando no ano passado; de dois campos de grama sintética finalizados na gestão anterior; e até do Cemeg Pimentas, reaberto após reformas cuja necessidade não foi claramente justificada.

O que ficou no caminho

Enquanto inaugura obras herdadas, Sanches deixou de entregar compromissos importantes. Nestes sete meses, não foram entregues uniformes escolares para 120 mil alunos; houve atrasos ou reduções na distribuição de materiais didáticos; a entrega de ovos de Páscoa e de cestas básicas de férias — ambas previstas em lei — foi cancelada. Outras promessas seguem apenas no papel, como o programa “remédio em casa”, psicólogos nas escolas, médicos em todas as unidades de saúde e a redução de filas em creches e equipamentos médicos.

Cobrança no Zoológico

Conforme divulgado pelo GWeb nesta segunda-feira, Sanches assinou um decreto para cobrar estacionamento no Zoológico de Guarulhos, que sempre teve acesso gratuito, tanto para visitação quanto para estacionamento. Para justificar, recorreu a uma lei de 2014, sancionada quando o prefeito era Sebastião Almeida (PT). Nem Almeida nem Guti aplicaram a cobrança nos últimos 11 anos, justamente para evitar onerar a população. Críticos já temem que a medida seja o primeiro passo para a cobrança de ingressos.

Operação de efeito midiático

Na semana passada, Sanches foi ao Aeroporto Internacional de Guarulhos com fiscais e secretários para anunciar a “operação caixa preta”, acusando a concessionária GRU Airport de não pagar impostos. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) já suspendeu nacionalmente a cobrança de IPTU sobre áreas da União cedidas a concessionárias de serviço público. O único resultado prático da visita foi a apreensão, pelo Procon, de uma garrafa de água vencida em uma máquina de vendas.

A polêmica da dívida

O prefeito falou em um débito de R$ 2 bilhões que a Prefeitura teria a receber. Pela regra de prescrição de cinco anos, e considerando valores anuais entre R$ 150 e R$ 200 milhões, a dívida real não chegaria a R$ 1 bilhão. Além disso, a questão está judicializada e suspensa por decisão do STF desde dezembro de 2024.

Fonte: GUARULHOSWEB

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