Em prisão domiciliar há dois meses, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem dividido a rotina entre consultas médicas, momentos de lazer diante da televisão e encontros políticos em sua casa, localizada em um bairro de classe média alta de Brasília. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante esse período, Bolsonaro recebeu mais de 30 visitas de aliados e políticos, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Os encontros giraram em torno das eleições de 2026, de uma reorganização da direita e de pedidos por anistia — tema recorrente nos diálogos com interlocutores.
O ex-presidente tem rejeitado alternativas que não envolvam perdão amplo e irrestrito. Propostas de uma solução intermediária, como redução da pena para até três anos em regime domiciliar, não tiveram aceitação. A pauta perdeu fôlego após a derrota da PEC da Blindagem e a falta de consenso em torno do chamado “PL da dosimetria”.
Além da política, a saúde de Bolsonaro preocupa aliados. Crises de soluço e refluxo se intensificaram nas últimas semanas. Em outubro, ele chegou a ser internado por dois dias em um hospital particular de Brasília e segue em acompanhamento médico. Segundo seu médico, Cláudio Birolini, as crises pioram após longos períodos de fala.
Na residência, remédios e receitas médicas ocupam a sala que antes servia de palco para transmissões ao vivo. A rotina inclui chás preparados por Michelle Bolsonaro, que também organiza as visitas e controla os horários de medicação do marido.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro atua como principal interlocutor com líderes do Congresso, Carlos divide sua presença entre Brasília e Santa Catarina, e Jair Renan permanece em apoio ao pai. Michelle, por sua vez, é apontada como pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal em 2026.
A defesa do ex-presidente aguarda a publicação do acórdão do julgamento no STF para apresentar recursos. Há também um pedido pendente para suspender a prisão domiciliar.
Fonte: OGLOBO