A estudante de Direito Ana Paula Veloso Fernandes, de 35 anos, acusada de matar quatro pessoas com veneno, já havia tentado envenenar colegas de faculdade em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo a Polícia Civil, foi esse caso — ocorrido no início deste ano — que levou à descoberta de sua ligação com uma série de homicídios em São Paulo e no Rio de Janeiro.
“Ela foi até a delegacia por conta de um suposto bolo envenenado dentro de uma faculdade. Através desse inquérito, chegamos à conclusão de que Ana Paula Veloso não era vítima, mas sim uma serial killer”, explicou o delegado Halisson Ideiao Leite, do 1º Distrito Policial de Guarulhos.
De acordo com a investigação, a suspeita colocou veneno em um bolo e o deixou na sala de aula, junto a um bilhete:
“Para a turma de Direito 4D, um ótimo feriadão! Um bolo para adoçar a manhã de vocês!”.
Nenhum aluno chegou a comer o bolo. Segundo o delegado, Ana Paula alegou ter agido por vingança, tentando incriminar a esposa de um policial militar com quem mantinha um relacionamento extraconjugal.
A investigação revelou que Ana Paula também era suspeita de quatro mortes por envenenamento registradas entre janeiro e maio deste ano, em SP e no RJ.
As vítimas
A estudante é acusada de ter matado:
Marcelo Hari Fonseca, dono de um imóvel em Guarulhos;
Maria Aparecida Rodrigues, amiga que conheceu em um aplicativo;
Neil Corrêa da Silva, aposentado de 65 anos, morador de Duque de Caxias (RJ);
Hayder Mhazres, namorado tunisiano, morto na capital paulista.
As investigações apontam que Ana Paula contou com a ajuda da irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso Fernandes, e de Michelle Paiva da Silva, filha de uma das vítimas.
Segundo o Ministério Público (MP), Roberta ajudou a aplicar o veneno nas quatro vítimas, enquanto Michelle teria pago R$ 4 mil às irmãs para matar o próprio pai, Neil.
O objetivo do grupo, conforme a Promotoria, era obter bens e dinheiro das vítimas.
Prisões e denúncias
Ana Paula foi presa em julho; Roberta, em agosto; e Michelle, em outubro.
Em setembro, o MP denunciou Ana Paula pelos quatro homicídios e classificou o caso como o de uma “verdadeira serial killer”.
“Além da gravidade em concreto das infrações cometidas ser indiscutível, estamos diante de uma verdadeira serial killer”, escreveram os promotores Rodrigo Merli Antunes e Vania Cáceres Stefanoni.
As outras duas mulheres ainda não foram denunciadas, mas devem responder pelos mesmos crimes.
Envenenamento e exumações
Todas as vítimas apresentaram edema pulmonar e outros sinais típicos de intoxicação por veneno. A perícia suspeita do uso de “chumbinho”, substância tóxica usada para matar ratos.
Três corpos foram exumados para análise. O de Hayder não passou por esse processo, pois foi levado à Tunísia, onde foi enterrado.
Ana Paula está presa preventivamente em uma unidade prisional da capital. Roberta e Michelle estão em presídios de Guarulhos.
Fonte: G1