Um vídeo de drone gravado pela polícia mostra traficantes fortemente armados reunidos no alto do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, pouco antes da fuga pela mata durante a megaoperação das forças de segurança, realizada na última terça-feira (28).
As imagens, captadas por volta das 6h da manhã, mostram 23 homens portando fuzis, alguns vestindo roupas camufladas e uniformes semelhantes aos das polícias, o que, segundo as autoridades, dificulta a identificação dos criminosos.
A investigação aponta que entre os integrantes estavam chefes do tráfico de outros estados, como Goiás, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Amazonas e Pará, além de membros da cúpula do Comando Vermelho (CV) no Rio.
Fuga pela Serra da Misericórdia
O vídeo mostra o grupo se deslocando em direção à Serra da Misericórdia, área de mata usada como rota de fuga e campo de treinamento pela facção. De acordo com a polícia, Doca, um dos principais líderes do CV e alvo da operação, já estava escondido fora da zona habitada quando as filmagens foram feitas.
Em entrevista à GloboNews, o secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, afirmou que a vegetação densa e o relevo acidentado dificultaram o avanço das equipes.
“A mata usada na fuga também serve de área de treinamento para novos integrantes da facção — inclusive menores de idade”, destacou.
CV controla mais de mil favelas
Segundo as polícias Civil e Militar, o Comando Vermelho controla mais de mil favelas no estado, o equivalente a 60% das comunidades do Rio. As demais áreas estão sob domínio de milícias ou outras facções.
Relatórios da polícia indicam que o CV mantém práticas violentas de punição, como execuções de moradores acusados de traição ou roubo. Além disso, a facção teria ampliado sua atuação econômica, cobrando “taxas” para acesso a serviços básicos, como gás, internet e transporte alternativo.
Expansão nacional
Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) mostram que o Comando Vermelho já atua em 24 estados e no Distrito Federal, consolidando-se como a maior organização criminosa do país.
A megaoperação desta semana foi a mais letal da história do Rio, com 121 mortos, incluindo quatro policiais, e 113 prisões. A ação mobilizou 2,5 mil agentes das forças estaduais e federais, com o objetivo de cumprir mandados de prisão e desarticular bases logísticas do grupo.
Enquanto o governo estadual classificou a ação como um “êxito”, organizações civis e moradores relataram abusos, remoção irregular de corpos e impactos humanitários nas comunidades atingidas.
Fonte: G1