Moradores de diversas regiões da Grande São Paulo enfrentam um cenário crítico após quase 50 horas sem energia elétrica. O vendaval que atingiu o estado provocou queda de árvores, danos em redes de distribuição e deixou mais de 700 mil pessoas no escuro, afetando de forma direta idosos, pacientes acamados e famílias inteiras que já não sabem a quem recorrer.
Na Zona Leste da capital, o comerciante Renato Rino, morador da Vila Invernada, ainda aguarda o restabelecimento do serviço em sua residência. Sem explicações sobre a demora, ele relata que parte do bairro teve a energia retomada, mas sua rua permanece às escuras desde as 4h da manhã de quarta-feira (10).
A família enfrentou ainda falta de água, perda de alimentos e queima de equipamentos. Segundo Rino, as dificuldades diárias aumentam com a ausência de retorno por parte da concessionária. “A gente tem que pedir favor para vizinhos e parentes para tomar banho quente ou carregar o celular. E não existe previsão de quando tudo vai voltar ao normal”, afirma.
No Grajaú, Zona Sul, o casal Francisco Bandeira e Josenir Cerqueira ficou sem energia por mais de dois dias e precisou improvisar com gelo para evitar perdas ainda maiores. Mesmo assim, parte dos alimentos estragou. Eles relatam mais de 20 ligações para a Enel sem sucesso e dizem que a energia só voltou por volta das 5h desta sexta-feira.
A situação se repete na Zona Norte, onde a analista Camila Guimarães teve a rotina profundamente afetada. Moradora do Jardim Elisa Maria, ela mostra a rua completamente apagada e alimentos estragando há três dias. A idosa de 90 anos que vive com a família sofreu uma queda no escuro e machucou a mão, agravando ainda mais o drama vivido dentro de casa.
Outros bairros também enfrentam dias difíceis. Na Pompéia, Zona Oeste, moradores relatam dificuldade para falar com a Enel e total perda de alimentos. Já no Jardim Santa Margarida, Zona Sul, uma árvore caída permanece pendurada nos fios desde quarta-feira, trazendo risco de acidentes e mantendo parte das casas sem energia. Alguns moradores dependem de aparelhos elétricos para sobrevivência.
A Enel afirma que suas equipes seguem mobilizadas e que o trabalho de reconstrução da rede é complexo, exigindo substituição de postes, transformadores e cabos. Entretanto, a empresa não apresentou previsão de restabelecimento para os endereços citados pelos moradores.
Segundo o boletim mais recente da concessionária, cerca de 835 mil imóveis seguem sem energia na Região Metropolitana. A falta de luz afeta serviços essenciais, como abastecimento de água, semáforos e mobilidade urbana. Na capital, são 589 mil imóveis ainda no escuro. Municípios como Juquitiba, Itapecerica da Serra e Embu das Artes estão entre os mais afetados proporcionalmente.
A Enel afirma ter restabelecido 1,8 milhão de clientes, dos 2,2 milhões inicialmente afetados, mas novos casos continuam surgindo devido à continuidade dos ventos. A empresa diz atuar para normalizar o fornecimento para aproximadamente 830 mil clientes ainda sem energia.
Enquanto aguardam respostas, moradores seguem dependendo da solidariedade entre vizinhos para conseguir cumprir tarefas básicas do dia a dia.
Fonte: G1