Um ato contra o Projeto de Lei da Dosimetria reuniu, no momento de maior concentração, 13,7 mil pessoas na Avenida Paulista, na capital paulista, neste domingo (14). O número foi divulgado pelo Monitor do Debate Político, da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common, a partir da análise de imagens aéreas feitas por drones.
A contagem foi realizada às 16h13, horário considerado o ápice da manifestação. Com margem de erro de 12%, o público estimado variou entre 12,1 mil e 15,4 mil participantes. O método utiliza fotografias analisadas por software de Inteligência Artificial, técnica já aplicada em outros atos públicos na cidade de São Paulo.
Segundo os pesquisadores, imagens foram captadas em sete horários diferentes ao longo do evento, e seis fotos do momento de pico foram selecionadas por cobrirem toda a extensão da manifestação, sem sobreposição. O protesto ocupou um quarteirão em frente ao Masp, e a Avenida Paulista foi totalmente bloqueada a partir das 14h, conforme informou a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
O ato foi convocado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e teve como pauta principal a oposição ao PL da Dosimetria, que reduz o tempo de prisão de condenados por tentativa de golpe de Estado, além de críticas à proposta de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Manifestantes exibiram faixas, cartazes e acompanharam discursos de políticos e lideranças de movimentos sociais.
A Polícia Militar acompanhou a mobilização, que transcorreu de forma pacífica. Em comparação, a última manifestação organizada pelos mesmos grupos na Avenida Paulista, em 21 de setembro, reuniu 42,4 mil pessoas no pico, segundo levantamento da USP.
O PL da Dosimetria já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e prevê, entre outros pontos, que o crime de golpe de Estado absorva o de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, além de reduzir o tempo necessário para progressão de pena. Caso o texto avance no Senado sem alterações, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, poderia cumprir cerca de dois anos e meio em regime fechado.
A proposta deve ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima quarta-feira (17). O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, declarou que a intenção é concluir a tramitação ainda neste ano.
Fonte: G1