Viúva perde R$ 7 milhões em golpe e hoje sobrevive vendendo mel; acusado vive em condomínio de luxo na Itália

por Redação

Maria Matuzenetz, que hoje vende mel e geleia em feiras para sobreviver, afirma ter perdido cerca de R$ 7 milhões após confiar em um homem apresentado como advogado por sua psicóloga. Segundo ela, o golpe ocorreu no momento em que tentava reorganizar a vida após a morte do marido, que havia deixado herança para garantir sua estabilidade financeira.

De acordo com Maria, a psicóloga a indicou um suposto profissional para resolver trâmites do inventário. Posteriormente, ela descobriu que a psicóloga é mãe do homem indicado e que ele não possui formação em Direito.

A viúva afirma que foi convencida a transferir aproximadamente R$ 7 milhões para uma conta no exterior. Documentos mostram que o valor foi enviado para uma empresa aberta em nome dela no Uruguai e, depois, transferido sem seu conhecimento para outra conta ligada à mulher de Luiz Eduardo Bottura.

Maria também sustenta que teve a assinatura falsificada em um termo de renúncia à herança em troca de R$ 10 mil. Três perícias apresentadas pela defesa dele estão sob investigação por suspeita de irregularidades. “Eu não recebi um centavo do inventário por causa dele”, afirma.

Luiz Eduardo Bottura é acusado pelo Ministério Público de chefiar uma organização criminosa que utilizaria o sistema de Justiça para fraudar indenizações, coagir advogados, intimidar autoridades e movimentar processos forjados.

A equipe do Fantástico localizou Bottura em Selvazzano Dentro, cidade próxima a Pádua, na Itália. Durante uma semana, a reportagem acompanhou sua rotina. Ele circula em carros de luxo, incluindo uma Maserati e outro veículo avaliado em 40 mil euros, e reside em condomínio com acesso a campo de golfe.

Promotores e delegados ouvidos pela reportagem afirmam que Bottura teria participado de mais de 3 mil ações judiciais. Em 327 delas, foi condenado por litigância de má-fé. Ele é apontado como o maior “litigante serial” do Brasil.

Em 2024, o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva dele e da esposa, que chegou a ser detida e atualmente utiliza tornozeleira eletrônica no Brasil. Bottura foi preso na Itália no ano passado após movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo a compra de um veículo de cerca de meio milhão de reais. Após ser liberado, teve o passaporte apreendido e responde a processo de extradição.

Confrontado, Bottura negou as acusações. Disse que não chefia organização criminosa, que não falsifica documentos e que não teve mais de 200 processos, alegando ter vencido praticamente todos. Também afirmou ter sido alvo de vazamento ilegal de informações na Itália.

A extradição será analisada pelo Tribunal de Apelação de Veneza na próxima quinta-feira (12). A investigação apontou ainda que a defesa apresentou às autoridades italianas a informação falsa de que Henrique Pizzolato, extraditado ao Brasil em 2015, teria morrido na prisão. Pizzolato está vivo.

Segundo associação formada por pessoas que afirmam ter sido prejudicadas, os prejuízos atribuídos a Bottura ultrapassam R$ 100 milhões. Enquanto aguarda decisão da Justiça italiana, ele acumula denúncias e relatos de vítimas que buscam reparação.

Fonte: FANTÁSTICO

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