A CPI do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira a convocação do ex-diretor do Banco Central Renato Dias de Brito Gomes e dos ex-governadores Cláudio Castro (RJ) e Ibaneis Rocha (DF), ampliando a investigação sobre o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Na mesma sessão, o colegiado avançou sobre o núcleo financeiro da apuração, aprovando a quebra de sigilo do fundo Laguz I.
Os requerimentos que incluem Castro e Ibaneis foram apresentados pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Também foram aprovadas convocações para ouvir o desembargador do TRF-2 Macário Ramos Júdice Neto, denunciado pela Procuradoria-Geral da República por suposto vazamento de informações ao Comando Vermelho.
No caso de Ibaneis, a convocação está relacionada a operações do escritório de advocacia fundado pelo governador com fundos vinculados à Reag e ao Banco Master, incluindo cessões de créditos e decisões sobre o BRB. Relatórios de inteligência indicam movimentações de cerca de R$ 43 milhões entre o escritório e o fundo Laguz I, administrado à época pela Reag. A CPI terá acesso a dados bancários, fiscais, telefônicos e relatórios do Coaf entre 2019 e 2026, devido a suspeitas de lavagem de dinheiro e uso de FIDCs para ocultar patrimônio.
A oitiva de Castro busca esclarecer a atuação do crime organizado no Rio, com foco em financiamento e lavagem de dinheiro, especialmente na chamada “narcomilícia”.
Além disso, a CPI solicitou informações a órgãos federais, incluindo o Banco Central, sobre processos envolvendo o conglomerado Master e a transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro e sócios. A oitiva do presidente do BC, Campos Neto, foi reagendada após ele informar que não compareceria, e o STF converteu a convocação anterior em convite facultativo.
Fonte: OGLOBO