Mais de 20 anos após o assassinato dos pais, Suzane von Richthofen volta ao centro do debate público ao revisitar o caso em um documentário inédito de quase duas horas. Condenada a 39 anos de prisão e atualmente em regime aberto, ela apresenta sua própria versão sobre o crime que marcou o país, em produção ainda sem data oficial de estreia, exibida até agora apenas em pré-estreia restrita pela Netflix.
Na obra, Suzane descreve a infância como marcada por distanciamento emocional e ausência de afeto. Segundo ela, o ambiente familiar era rígido, com foco em desempenho escolar e pouca demonstração de carinho. A relação com os pais, Manfred e Marísia von Richthofen, é retratada como fria, com conflitos constantes e episódios de tensão dentro de casa.
Ao longo do relato, a condenada sugere que esse contexto contribuiu para o envolvimento com Daniel Cravinhos, também condenado pelo crime. Ela afirma que o relacionamento ocupou espaços deixados pela família e que, gradualmente, a ideia do homicídio foi sendo construída. Apesar de tentar se afastar do planejamento direto, Suzane admite sua responsabilidade: “Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa. A culpa é minha”.
O assassinato ocorreu em 31 de outubro de 2002, quando os pais foram mortos a pauladas pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. Suzane afirma que não participou da execução, dizendo que permaneceu no andar de baixo, mas reconhece que tinha conhecimento do que acontecia e que poderia ter impedido.
O documentário também aborda o comportamento da condenada após o crime, incluindo relatos policiais de que ela teria sido encontrada em uma festa dias depois — versão que Suzane contesta, alegando que a casa ainda apresentava sinais do assassinato.
Além do passado, a produção mostra a vida atual de Suzane, incluindo o casamento com o médico Felipe Zecchini Muniz, o convívio com as enteadas e o filho pequeno. No trecho final, ela afirma ter se transformado ao longo dos anos e tenta se desvincular da imagem ligada ao crime, dizendo que “aquela Suzane ficou no passado”. Ainda assim, reconhece que segue sendo identificada publicamente pelo caso.
Fonte: OGLOBO