O café pode provocar aumento temporário da pressão arterial, mas não há evidências consistentes de que o consumo moderado da bebida cause hipertensão. É o que indicam pesquisas que analisaram centenas de milhares de pessoas ao longo dos anos.
A cafeína age como estimulante do sistema cardiovascular, podendo acelerar os batimentos cardíacos e contrair vasos sanguíneos, especialmente em pessoas que não consomem café com frequência ou que já têm pressão alta. O efeito, no entanto, tende a ser passageiro.
A pressão arterial é medida por dois valores: a sistólica (quando o coração se contrai) e a diastólica (quando relaxa). Valores abaixo de 120/80 mm Hg são considerados normais. Quando atingem ou ultrapassam 140/90 mm Hg de forma constante, configuram hipertensão.
A doença é considerada silenciosa porque geralmente não apresenta sintomas, mas aumenta o risco de infarto, AVC e complicações renais. Estima-se que cerca de 31% dos adultos tenham hipertensão, e metade não saiba disso.
Após o consumo de café, os níveis de cafeína no sangue atingem o pico entre 30 minutos e duas horas, com efeito que pode durar de três a seis horas. Nesse período, a pressão pode subir de forma leve a moderada.
Revisões científicas indicam que a cafeína pode elevar a pressão sistólica entre 3 e 15 mm Hg e a diastólica entre 4 e 13 mm Hg logo após o consumo. O impacto tende a ser maior em pessoas com hipertensão ou doenças cardiovasculares.
Apesar disso, estudos de longo prazo com cerca de 315 mil participantes não encontraram relação direta entre consumo de café e maior risco de desenvolver pressão alta. Em alguns casos, até foi observada possível redução de risco, embora com ressalvas metodológicas.
Outro estudo, realizado no Japão, acompanhou adultos por quase duas décadas e encontrou maior risco de morte cardiovascular apenas em pessoas com hipertensão grave que consumiam duas ou mais xícaras por dia. Em indivíduos com pressão normal ou leve, essa associação não foi observada.
Além da cafeína, o café contém compostos como melanoidinas e ácido quínico, que podem ter efeitos benéficos sobre a regulação da pressão e a saúde dos vasos sanguíneos.
A conclusão geral dos especialistas é que, para a maioria das pessoas, não há necessidade de abandonar o café. A recomendação é moderação e atenção ao histórico de saúde individual.
Entre as orientações estão evitar cafeína antes de medir a pressão, reduzir o consumo à noite quando houver impacto no sono e limitar a ingestão a cerca de quatro xícaras por dia. Pessoas com hipertensão mais grave devem buscar orientação médica.
Fonte: OGLOBO