Uma regra adotada pela ACM Unidade Lapa, em São Paulo, tem gerado protestos de mães de alunos e acusações de discriminação de gênero. No local, mães não podem entrar no vestiário masculino infantil, destinado a crianças de 6 a 9 anos, para auxiliar no banho. A mesma restrição se aplica aos pais no vestiário feminino. Apenas responsáveis do mesmo sexo da criança podem entrar para dar suporte.
A medida tem afetado principalmente mães solo de meninos, que relatam dificuldade para garantir que os filhos tomem banho após as aulas de natação. Em alguns casos, as crianças acabam indo embora sem se lavar.
Segundo relatos de responsáveis, a regra já existia, mas passou a ser reforçada com mais rigor nas últimas semanas, incluindo abordagens mais rígidas por parte da equipe da unidade. Um aviso afixado no local informa que não é permitida a entrada de responsáveis do sexo feminino no vestiário masculino infantil.
Uma das mães afirma que foi impedida de auxiliar o filho dentro do espaço e relata que houve intervenção de funcionários para retirá-la do local. Outra responsável diz que só foi informada da regra após tentar acompanhar o filho no vestiário.
As mães criticam o argumento de que as crianças deveriam ter autonomia para se trocar e tomar banho sozinhas, apontando que a medida desconsidera a realidade de crianças mais novas e diferentes configurações familiares.
Elas também afirmam que existe um vestiário familiar na unidade, mas que o espaço é limitado e destinado a crianças de até 5 anos, com apenas um chuveiro. Segundo os relatos, a alternativa não atende famílias com crianças mais velhas, o que gera constrangimentos e improvisações.
Em alguns casos, a unidade passou a permitir o uso do vestiário familiar por crianças acima da faixa etária prevista, mas de forma considerada temporária e insuficiente pelos responsáveis.
As mães relatam ainda que, diante das restrições, algumas crianças deixam o local sem banho ou evitam o uso do vestiário por desconforto com outros adultos desconhecidos presentes no ambiente.
Para as responsáveis, a regra cria uma desigualdade prática, especialmente para famílias monoparentais. Elas argumentam que a política ignora diferentes arranjos familiares, como mães solo ou famílias com dois pais ou duas mães.
Também há críticas à falta de alternativas estruturadas e à ausência de diálogo mais efetivo com a escola para adaptação das regras.
A instituição ainda não apresentou uma solução definitiva para o impasse, segundo os relatos das famílias envolvidas.
Fonte: revistacrescer