Motoristas de app instalam redes nas janelas contra assaltos e adaptação gera alerta em São Paulo

por Redação

O uso de redes de proteção instaladas nas janelas de carros de aplicativo começou a chamar atenção em São Paulo como uma tentativa de motoristas de reduzir o risco de roubos durante as corridas. A solução improvisada, porém, já levanta preocupações sobre segurança viária e riscos em caso de acidentes.

A profissional de recursos humanos Beatriz Furquim contou ter se surpreendido ao entrar em um veículo de aplicativo equipado com redes laterais. Segundo ela, a motorista circulava com os vidros abaixados, enquanto a proteção impedia que alguém colocasse a mão dentro do carro.

“Foi a primeira vez que eu peguei um carro assim. Achei bem inteligente”, relatou.

A passageira associou imediatamente a adaptação aos frequentes casos de assaltos no trânsito paulistano, principalmente ações em que criminosos quebram ou acessam os vidros laterais dos veículos para roubar celulares e pertences.

Apesar da intenção de aumentar a segurança, especialistas alertam para os riscos da instalação.

Junior Dias, membro da Comissão de Trânsito da OAB SP, afirma que adaptações desse tipo podem representar perigo em situações de emergência. Segundo ele, caso ocorra um acidente grave e as portas fiquem travadas, as redes podem dificultar o resgate dos ocupantes do veículo.

“É bem perigoso. Se tiver pegando fogo, isso vai dificultar”, afirmou.

O especialista também aponta possíveis problemas legais. Segundo Dias, a instalação de redes nas janelas dianteiras pode configurar infração grave caso prejudique a visibilidade do motorista. Ele cita a resolução 960 de 2022 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que estabelece regras para elementos aplicados aos vidros dos veículos.

Além disso, dependendo da forma de instalação, a adaptação pode ser considerada modificação estrutural do veículo, exigindo vistoria e autorização dos órgãos competentes.

Mesmo quando colocadas apenas nas janelas traseiras, as redes podem ser questionadas pelas plataformas de transporte caso sejam consideradas um risco à segurança dos passageiros.

Procuradas, Uber e 99 não comentaram especificamente sobre o uso das redes e encaminharam o assunto para a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec).

Em nota, a entidade afirmou que as empresas do setor investem em ferramentas de segurança tecnológica, como compartilhamento de localização, gravação de áudio e integração com o sistema 190 em alguns estados.

Para Junior Dias, alternativas de proteção devem evitar criar novos riscos. Ele defende o uso de películas permitidas por lei, redução da exposição de celulares e reforço no policiamento como soluções mais seguras.

Fonte: G1

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