A Copa do Mundo de 2026 marcará uma mudança significativa no perfil de diversos treinadores que estarão à frente das seleções nacionais. Acostumados ao trabalho diário nos grandes clubes da Europa, nomes consagrados do futebol mundial trocaram a rotina intensa das competições de clubes pelo desafio de comandar seleções, onde os períodos de treinamento são reduzidos e os jogos acontecem em intervalos maiores.
O caso mais emblemático é o de Carlo Ancelotti. Dono de cinco títulos da Liga dos Campeões da Uefa — dois pelo Milan e três pelo Real Madrid —, o italiano assumiu a Seleção Brasileira em 2025 e disputará sua primeira Copa do Mundo como treinador de uma equipe nacional. Em novembro do ano passado, Ancelotti admitiu que precisou se adaptar ao novo modelo de trabalho.
Segundo o técnico, a principal diferença está na ausência da rotina diária que sempre marcou sua carreira. Acostumado a trabalhar todos os dias em clubes, ele passou a atuar mais na observação de atletas e no planejamento estratégico entre as datas FIFA.
Outro estreante em Copas é Thomas Tuchel, atual comandante da Inglaterra. Campeão da Liga dos Campeões pelo Chelsea, o alemão também construiu toda a carreira em clubes, acumulando passagens por Borussia Dortmund, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique e Chelsea. Desde que assumiu a seleção inglesa, em outubro de 2024, ele revelou que o trabalho envolve uma extensa preparação logística para o Mundial, incluindo definição de centros de treinamento, campos e planejamento operacional.
A tendência de contratar treinadores vindos do futebol de clubes também aparece em outras seleções. A Alemanha apostou em Julian Nagelsmann, considerado um dos técnicos mais promissores da nova geração, após passagens por Hoffenheim, RB Leipzig e Bayern de Munique.
Os Estados Unidos entregaram o comando ao argentino Mauricio Pochettino, vice-campeão da Champions League com o Tottenham e ex-treinador de PSG e Chelsea. Já o Equador contratou Sebastián Beccacece, que construiu sua trajetória em clubes da América do Sul e da Espanha.
Outras seleções seguiram caminho semelhante nos últimos meses. A Suécia escolheu Graham Potter, ex-Brighton, Chelsea e West Ham. A Bélgica será comandada pelo francês Rudi Garcia, enquanto o Catar apostou no espanhol Julen Lopetegui, que retorna ao futebol de seleções após anos trabalhando em clubes.
Apesar dessa tendência recente, diversas potências do futebol ainda mantêm treinadores com perfil tradicional de seleções. É o caso da França, comandada por Didier Deschamps desde 2012, da Espanha, liderada por Luis de la Fuente após anos nas categorias de base, e de Portugal, que segue sob o comando de Roberto Martínez.
Outro exemplo de sucesso é Lionel Scaloni. Sem experiência prévia como treinador de clubes, o argentino assumiu a seleção após a Copa de 2018 e conduziu o país aos títulos da Copa América de 2021, da Finalíssima de 2022, da Copa do Mundo do Catar e de mais uma Copa América em 2024.
Independentemente do perfil, os 48 treinadores classificados para o Mundial iniciarão a partir de 11 de junho a busca pelo troféu mais cobiçado do futebol: a Copa do Mundo.
Fonte: GE