Terremotos históricos na Venezuela deixam 188 mortos e cenário de destruição

por Redação

A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias naturais de sua história após os terremotos que atingiram o país na quarta-feira (24). Os abalos, de magnitudes 7,2 e 7,5, foram os mais intensos registrados em mais de um século e deixaram, até o momento, 188 mortos, 1.521 feridos e centenas de edifícios destruídos.

As regiões mais afetadas foram a capital, Caracas, e o estado de La Guaira. Além das vítimas confirmadas, milhares de pessoas continuam desaparecidas, enquanto equipes de resgate seguem as buscas.

O jornalista venezuelano Marcos David Valverde relatou ao Metrópoles os momentos de tensão vividos durante os tremores. Segundo ele, inicialmente acreditou que o alerta recebido no celular estivesse relacionado ao uso de uma VPN, comum no país devido às restrições nas comunicações impostas pelo regime venezuelano.

Pouco depois, percebeu que se tratava de um terremoto.

“Começou o terremoto, era algo que não terminava. Eu desci, saí na rua e o tremor seguiu. Não havia fim”, relatou.

Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou apenas um terremoto de magnitude 7,1. Posteriormente, revisou os dados e confirmou dois grandes abalos sísmicos.

O primeiro ocorreu próximo a San Felipe, com magnitude 7,2 e profundidade de 21,9 quilômetros. Apenas 39 segundos depois, um segundo tremor, ainda mais forte, atingiu a região de Yumare, alcançando magnitude 7,5. Por terem ocorrido em baixa profundidade, os terremotos foram sentidos em diversas áreas do norte da América do Sul e do Caribe.

Após os abalos principais, o governo venezuelano confirmou a ocorrência de 20 réplicas. Segundo Valverde, os novos tremores levaram muitos moradores a permanecerem nas ruas por medo de retornar às suas casas.

“Tem gente dormindo na rua, nas praças. Proteção Civil, bombeiros, polícia e militares estão trabalhando muito. Muitas pessoas preferem não voltar para suas casas”, afirmou.

Os danos à infraestrutura também são expressivos. De acordo com Jorge Rodríguez, presidente do parlamento da Venezuela, cerca de 250 edifícios desabaram ou sofreram danos, enquanto aproximadamente 200 pessoas permanecem presas sob os escombros.

Valverde contou ter presenciado o desabamento de um prédio residencial de mais de dez andares em Caracas.

“Foi como se alguém derrubasse uma torre de sanduíches. Parte da estrutura caiu sobre a rua e destruiu vários carros”, descreveu.

Diante da gravidade da situação, o governo venezuelano decretou estado de emergência e determinou o fechamento do principal aeroporto do país. Pelo menos 17 países, entre eles o Brasil, ofereceram ajuda humanitária às autoridades venezuelanas.

Fonte: G1

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