Brasil Acusado de fraudes milionárias vive luxo na Itália enquanto vítimas relatam prejuízos Redação2 de março de 202605 visualizações Acusado pelo Ministério Público de chefiar uma organização criminosa que utilizaria o sistema de Justiça para fraudar indenizações, coagir advogados, intimidar autoridades e movimentar processos forjados, Luiz Eduardo Bottura foi localizado na Itália levando uma vida de alto padrão. A equipe do Fantástico encontrou o investigado em Selvazzano Dentro, cidade vizinha a Pádua, a poucos quilômetros de Veneza. Durante uma semana, a reportagem acompanhou a rotina do foragido, que circula entre 11h e meio-dia, frequenta academia e restaurantes, dirige uma Maserati e outro carro de luxo avaliado em 40 mil euros (cerca de R$ 240 mil), além de morar em condomínio com acesso a campo de golfe. Enquanto isso, vítimas relatam perdas financeiras e emocionais. Maria Matuzenetz afirma ter sido enganada por Bottura após a morte do marido. Segundo ela, o investigado se apresentou como advogado e a convenceu a transferir cerca de R$ 7 milhões recebidos de herança para uma conta no exterior. “Eu não tenho paz, eu não tenho dinheiro. Ele tirou tudo de mim. Eu não recebi um centavo do inventário por causa dele”, declarou. Documentos indicam que o valor foi enviado para uma empresa aberta em nome de Maria no Uruguai e, posteriormente, transferido sem o conhecimento dela para outra conta ligada à mulher de Bottura. A viúva também afirma que teve a assinatura falsificada em um termo de renúncia da herança em troca de R$ 10 mil. Três perícias apresentadas pela defesa estão sob investigação por suspeita de irregularidades. Promotores e delegados ouvidos pela reportagem afirmam que Bottura teria participado de mais de 3 mil ações judiciais. Em 327 delas, foi condenado por litigância de má-fé. Ele é apontado como o maior “litigante serial” do Brasil. Em 2024, o Ministério Público de São Paulo solicitou a prisão preventiva de Bottura e de sua mulher. Ela chegou a ser detida e utiliza tornozeleira eletrônica no Brasil. A prisão dele na Itália ocorreu após autoridades locais identificarem movimentações financeiras suspeitas, incluindo a compra de um veículo avaliado em meio milhão de reais. Após ser liberado, teve o passaporte apreendido e responde a processo de extradição. Confrontado, Bottura negou as acusações. Disse não chefiar organização criminosa, não falsificar documentos e afirmou que os processos contra ele se baseiam em denúncias arquivadas. Também declarou ter vencido praticamente todas as ações judiciais e alegou vazamento ilegal de informações na Itália. A extradição será analisada pelo Tribunal de Apelação de Veneza na próxima quinta-feira (12). A investigação aponta ainda que a defesa apresentou às autoridades italianas a informação falsa de que Henrique Pizzolato, extraditado ao Brasil em 2015, teria morrido na prisão — ele está vivo. O episódio levantou suspeitas de tentativa de manipulação de dados para evitar o retorno ao país. Segundo associação formada por pessoas que afirmam ter sido prejudicadas, os prejuízos atribuídos ao investigado ultrapassam R$ 100 milhões. Maria, que hoje vive da venda de mel em feiras, afirma buscar justiça e a chance de reconstruir a vida. Fonte: FANTÁSTICO