Agricultores protestam com esterco e lixo em frente à casa de praia de Macron contra acordo UE-Mercosul

Dezenas de agricultores franceses realizaram um protesto inusitado nesta sexta-feira (19) ao despejar esterco, lixo e outros resíduos em frente à casa de praia do presidente da França, Emmanuel Macron, na cidade litorânea de Le Touquet, no norte do país. A manifestação teve como principal alvo o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

Durante o ato, os manifestantes colocaram um caixão com a inscrição “Não ao Mercosul” diante da residência de tijolos vermelhos pertencente a Macron e à primeira-dama Brigitte Macron. Sacos de esterco, pneus, repolhos e galhos também foram descarregados nas proximidades do imóvel, que estava sob vigilância policial.

O protesto ocorre um dia após uma grande mobilização de agricultores europeus em Bruxelas, que terminou em confrontos e cenas de violência. Os produtores rurais protestam contra o acordo comercial que prevê a redução ou eliminação de tarifas de importação e exportação entre a União Europeia e os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Diante da pressão, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou aos líderes do bloco que a assinatura do acordo, prevista para este sábado (20), foi adiada. Apesar disso, os agricultores franceses mantiveram os protestos e também criticaram a atuação do governo francês no enfrentamento de uma doença que afeta o rebanho bovino no país.

Segundo Benoît Hédin, representante do sindicato agrícola FDSEA, a ação desta sexta-feira teve caráter simbólico e expressa a insatisfação com a atual política agrícola europeia. Ele citou, além do Mercosul, a possível reforma da Política Agrícola Comum, que pode reduzir benefícios aos produtores a partir do próximo ano.

Produtores afirmam que os alimentos importados da América do Sul entram no mercado europeu sem as mesmas exigências regulatórias impostas aos agricultores locais, o que torna a concorrência desigual. “Estamos protestando há dois anos e nada muda”, declarou o agricultor Marc Delaporte.

O acordo comercial foi fechado em dezembro de 2024 e sua assinatura estava prevista para ocorrer durante a cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu. A pressão da França, com apoio recente da Itália, levou ao adiamento do processo. O principal sindicato agrícola francês, FNSEA, considerou a decisão insuficiente e prometeu manter a mobilização contra o tratado.

Fonte: G1

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