Amores secretos e herança de R$ 2 bilhões: disputa expõe guerra judicial nas Casas Pernambucanas

Duas mulheres protagonizam uma disputa judicial bilionária envolvendo Anita Harley, herdeira das Casas Pernambucanas, um dos maiores impérios do varejo brasileiro. Com fortuna estimada em R$ 2 bilhões, a empresária está em coma há quase dez anos, desde que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), em novembro de 2016.

A batalha judicial, que envolve tanto o controle do grupo quanto a vida pessoal de Anita, é tema da série documental “O Testamento – O Segredo de Anita Harley”, lançada nesta segunda-feira (23) no Globoplay.

Atualmente internada em um leito de UTI, Anita vive o que a diretora do documentário, Camila Appel, descreve como um “grande pesadelo”. “A Anita se encontra num estado que é um grande pesadelo para todos nós, que é um estado em que você é considerado vivo. Clinicamente vivo, né. Mas não pode responder nem tomar decisões”, afirmou.

No centro da disputa estão Sônia Soares, conhecida como Suzuki, e Cristine Rodrigues. Um ano após a internação de Anita, Sônia ingressou na Justiça alegando que manteve união estável com a empresária por 36 anos. A decisão judicial reconheceu a relação.

“Eu estou aqui porque eu preciso da minha história e não da história que contam”, declarou Sônia no documentário. As duas viveram juntas em uma mansão de 96 cômodos e 37 banheiros, na Aclimação, em São Paulo — imóvel avaliado em R$ 50 milhões e doado por Anita a Sônia.

No filme, ao ser questionada sobre o tempo de convivência, Sônia respondeu: “36 anos. Até o AVC.” Ao ser perguntada se amava Anita, foi direta: “Muito.”

Cristine Rodrigues, que trabalhou com Anita, contesta a versão e também reivindica na Justiça o reconhecimento como companheira da empresária. “Ela é minha companheira de vida”, afirmou. Sobre a alegação de Sônia, rebateu: “Olha. Não preciso nem enxergar. Ninguém pode estar em dois lugares. Será que não dá pra entender? Não vale a pena.”

Outro ponto central da disputa envolve Artur Miceli, filho biológico de Sônia. A Justiça reconheceu Artur como filho socioafetivo de Anita Harley, garantindo-lhe a condição de herdeiro.

Artur afirma que a disputa o obrigou a comprovar seus laços familiares. “Eu acho que a única forma que eu tenho de tirar essa narrativa da mão dos outros é que eu possa contar a minha história. É muito ruim você ter que provar que você existe. E que eu tive uma família, e que eu fui amado, e que eu tive estrutura e tal, é muito chato. Porque parece que eu só vim, que eu sou um produto criado pra ir atrás de uma herança.”

Cristine contesta essa versão e sustenta que Anita era generosa com funcionários e pessoas próximas, mas nunca reconheceu Artur como filho. “Anita tratava ele bem, como você trata uma criança que mora na sua casa. O fato de você tratar bem uma criança, de você pagar os estudos dessa criança… é normal. Não é só dele que ela pagava. Faculdade, colégio. Pagava convênio de muita gente. Já deu casas pra funcionários, carros. Ela era uma pessoa muito, muito generosa. O fato de tratar bem, gostar do menino, não quer dizer que seja filho. Ela nunca se referiu a ele como filho. Se ele disser isso, ele está mentindo.”

A série é resultado de cinco anos de investigação jornalística e optou por uma linguagem estética próxima à ficção, com reconstrução de cenários em estúdio. “A gente optou pela ideia de reconstruir os cenários todos num estúdio e escancara isso. A gente não finge que aquele cenário é a casa. A gente mostra o estúdio. Tinha essa intenção de transformar aquela narrativa numa narrativa com mais cara de ficção mesmo”, explicou Monica Almeida, diretora de gênero da Globo.

Para Camila Appel, o documentário também provoca reflexão sobre vulnerabilidade. “É uma série que fala sobre o que pode acontecer com aqueles que não podem falar por si mesmos. Isso gera uma identificação de todo mundo, de pensar: puxa, e se acontecesse comigo?”

A diretora afirma que, ao longo da investigação, abriu mão da busca por uma única verdade. “Eu até estava em busca de uma verdade. Mas no meio do caminho eu percebi que eu não ia conseguir alcançá-la. (…) Talvez todo mundo ali enxergue a sua verdade.”

O desfecho da série promete uma revelação que pode alterar novamente os rumos do caso. Enquanto isso, o futuro das Casas Pernambucanas permanece indefinido em meio a uma disputa descrita pelos envolvidos como uma batalha por dinheiro, poder e influência.

Fonte: FANTÁSTICO

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