Bruno Guimarães vive sua melhor fase com a Seleção Brasileira sob o comando de Carlo Ancelotti. Desde a chegada do treinador italiano, o camisa 8 se consolidou como um dos jogadores mais regulares da equipe, resultado de uma adaptação tática que aproximou sua função na seleção daquela exercida no Newcastle. A mudança fez do meio-campista uma das principais referências técnicas e estratégicas do Brasil na Copa do Mundo.
Os números reforçam o protagonismo do volante. De acordo com estatísticas da Fifa, Bruno é o segundo brasileiro que mais pressiona os adversários e o líder em desarmes que resultam na perda efetiva da posse de bola. No setor ofensivo, também se destaca como o jogador que mais se oferece para receber passes, lidera as tentativas de quebrar linhas defensivas e soma quatro assistências na competição, tornando-se o primeiro brasileiro desde Zico, na Copa de 1982, a alcançar esse número.
O próprio jogador atribui o desempenho à confiança recebida do treinador.
— Ancelotti é um treinador de nível altíssimo e me deu muita confiança para jogar. Estou conseguindo desempenhar meu melhor futebol — afirmou Bruno Guimarães.
A principal mudança promovida por Ancelotti foi posicionar Bruno em um tripé de meio-campo. Na construção das jogadas, ele atua à frente de Casemiro, organizando a circulação da bola sem ser o primeiro responsável pela saída. No campo ofensivo, alterna entre aproximar-se do volante para iniciar jogadas e infiltrar como elemento surpresa na área adversária, função que resultou, por exemplo, no gol da virada sobre o Japão.
Segundo Rafael Marques, analista da Performa Sports, o novo posicionamento reproduz quase integralmente o papel desempenhado por Bruno no Newcastle.
— Isso é muito parecido com o que ele faz no clube. Esse encaixe ajudou muito a performar de maneira consistente. A maior diferença está na fase defensiva, porque na seleção ele precisa cobrir mais espaço, mas tem conseguido desempenhar essa função — explicou.
Além do ajuste tático, Bruno também passou por uma evolução técnica. O meia aprimorou o posicionamento corporal para receber a bola, intensificou o mapeamento do espaço às costas dos marcadores e passou a utilizar com mais frequência a perna esquerda, antes considerada seu ponto menos forte.
Rafael Marques destaca que essa evolução foi decisiva em lances importantes.
— Bruno é um destro muito destro. O gol nasce de um domínio orientado com o pé esquerdo. Talvez anos atrás ele não tivesse criado a mesma janela de passe para Martinelli — analisou.
A relação entre Ancelotti e Bruno Guimarães poderia ter começado ainda em 2022. Segundo a agência Reuters, o treinador pediu ao Real Madrid a contratação do volante quando ele ainda defendia o Lyon. O plano, porém, foi frustrado após a transferência do jogador para o Newcastle. Agora, valorizado no mercado europeu, Bruno voltou a despertar o interesse do clube espanhol, novamente por indicação de Ancelotti.
O atual modelo da Seleção Brasileira tem como referência o Real Madrid campeão europeu comandado pelo técnico italiano. No meio-campo em losango, Bruno ocupa o lado direito, desempenhando função semelhante à exercida por Federico Valverde na equipe espanhola.
Para Rafael Marques, a adaptação foi determinante para o sucesso da parceria.
— Ele reúne capacidade de construção e infiltração. A mudança de função entre clube e seleção é sempre delicada, mas, no caso do Bruno com o Ancelotti, deu muito certo.
Ancelotti também destacou a entrega do meio-campista em campo.
— Bruno é um jogador muito importante, muito contínuo no jogo, sempre tem boa participação defensiva e ofensivamente. Tem um coração muito grande — elogiou o treinador.
Fonte: OGLOBO