Anotações de Flávio expõem bastidores e estratégias do PL nos estados

Um documento com anotações atribuídas ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revela negociações, impasses e estratégias do Partido Liberal para a montagem de palanques estaduais e chapas ao Senado nas eleições deste ano. O material, intitulado “situação nos estados”, foi acessado pelo Metrópoles durante entrevista coletiva concedida pelo senador na sede do PL, em Brasília.

As anotações foram produzidas ao longo de reuniões com integrantes da cúpula da legenda, como o presidente Valdemar Costa Neto, e aliados envolvidos na articulação da campanha. Nesta quarta-feira (25/2), após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, Flávio confirmou a autoria dos registros, mas afirmou que parte das opiniões anotadas partiu de terceiros.

O conteúdo detalha possíveis candidatos aos governos estaduais e ao Senado, além de avaliações políticas sobre alianças e composições. No Rio de Janeiro, por exemplo, as anotações mencionam a chapa oficializada na terça-feira (24/2). Em articulação com PP e União Brasil, o PL abriu mão do próprio líder no Senado para viabilizar espaço ao Centrão. O secretário estadual Douglas Ruas (PL) disputará o governo com Rogerio Lisboa (PP) como vice. Já o governador Cláudio Castro (PL) concorrerá ao Senado ao lado do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União).

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Flávio registrou a necessidade de “ligar para o Tarcísio”, em referência ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Há questionamentos sobre a composição da chapa à reeleição, com o nome de André do Prado (PL) cogitado para vice. O atual vice, Felício Ramuth (PSD), investigado por lavagem de dinheiro, aparece acompanhado de um símbolo de cifrão. O PL articula apoio a André do Prado, deixando Ramuth fora da composição.

Para o Senado em São Paulo, Guilherme Derrite (PP) surge como único nome destacado. Outras possibilidades listadas incluem Renato Bolsonaro, Mário Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano.

A montagem dos palanques estaduais é tratada como etapa estratégica para fortalecer a candidatura presidencial de Flávio, especialmente no Nordeste, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provável candidato à reeleição, mantém forte desempenho. O senador afirmou que o PL pode lançar até 11 candidatos a governador e trabalha para ampliar sua bancada no Senado, prioridade defendida por Jair Bolsonaro.

Em Minas Gerais, o documento aponta indefinição. O vice-governador Mateus Simões (PSD), indicado por Romeu Zema, é avaliado como fator que “puxa” Flávio “para baixo”. Também são citados Cleitinho (Republicanos) e Rodrigo Pacheco (PSD). O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, aparece como possível nome do PL, com anotação de “conversa com Nikolas”, em referência ao deputado Nikolas Ferreira.

No Rio Grande do Sul, considerado um dos estados mais avançados nas tratativas, há um “ok” manuscrito. Zucco deve disputar o governo, com Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) ao Senado. A vice seria oferecida ao PP, com interlocução atribuída a Onyx Lorenzoni.

No Distrito Federal, as anotações indicam entraves. Jair Bolsonaro orientou o lançamento de duas candidaturas próprias ao Senado — Michelle Bolsonaro e Bia Kicis — o que afeta os planos do governador Ibaneis Rocha (MDB). O apoio à vice-governadora Celina Leão (PP) ao governo depende da definição sobre Ibaneis: “Se Ibaneis for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina”, registra o documento.

O material ainda percorre estados do Nordeste. No Ceará, há intenção de aliança com Ciro Gomes (PSDB). Na Paraíba, o apoio a Efraim Filho (União) é dado como certo, com possibilidade de migração ao PL. No Piauí, aparecem Ciro Nogueira (PP) e Tiago Junqueira (PL) como nomes ao Senado. Em Alagoas, JHC (PL) e Alfredo Gaspar (União) são cotados ao governo; Marina Cândida e Arthur Lira surgem como possibilidades ao Senado.

Na Bahia, ACM Neto (União) é citado como nome ao governo, com João Roma (PL) listado ao Senado. Em Pernambuco, o apoio a Raquel Lyra (PSD) permanece indefinido. Sergipe, Rio Grande do Norte e Maranhão também apresentam cenários em construção, com menções a possíveis migrações partidárias e articulações conduzidas por Valdemar Costa Neto.

Em outros estados, como Mato Grosso do Sul, há referência a pedido de R$ 15 milhões atribuído ao deputado Marcos Pollon (PL-MS), negado por Flávio. No Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL) aparece em destaque ao governo. No Paraná e em Goiás, há indefinições tanto para governo quanto para Senado. Em Santa Catarina, a tendência é de apoio à reeleição de Jorginho Mello, com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni como possíveis nomes ao Senado.

O conjunto das anotações expõe um mapa detalhado das negociações políticas do PL, revelando disputas internas, alianças estratégicas e impasses que podem redesenhar o cenário eleitoral nos estados.

Fonte: METRÓPOLES

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