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Após prisão ligada ao PCC, musa da Gaviões chama volta ao Sambódromo de renascimento

Musa da Gaviões da Fiel, a atriz e dançarina Natacha Horana, de 33 anos, voltou a desfilar no carnaval de São Paulo neste ano após passar quatro meses presa na Penitenciária Feminina de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. A artista havia sido detida em novembro de 2024, durante a Operação Argento, que investigou o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) Valdeci Alves dos Santos, conhecido como Colorido.

Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN), Natacha manteve um relacionamento com Valdeci e teve contas pessoais usadas para lavagem de dinheiro do crime organizado. A ex-bailarina do Faustão nega as acusações e afirma que foi enganada pelo ex-namorado.

De acordo com os promotores, empresas ligadas ao líder do PCC realizaram diversos depósitos nas contas da atriz, o que motivou o pedido de prisão. Natacha foi solta em março de 2025, mas segue respondendo a processo criminal por lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e organização criminosa.

A dançarina afirma que, no carnaval do ano passado, chegou a deixar a fantasia pronta e aguardava a concessão de um habeas corpus para desfilar. “Se eu saísse sábado de manhã, eu iria desfilar. Mas o Judiciário entrou em recesso, e o habeas corpus só saiu depois do carnaval”, relatou.

Segundo Natacha, a experiência na prisão foi traumática. “Ficar longe e a falta de liberdade de não poder falar, me defender publicamente, foi muito traumatizante. Agora, estar na Avenida é um renascimento, de liberdade, de reconquista”, afirmou.

Valdeci Alves dos Santos está preso na Penitenciária Federal de Brasília, suspeito de lavar mais de R$ 23 milhões do PCC. Foragido por quase dez anos, ele foi capturado em abril de 2022, durante uma blitz da Polícia Rodoviária Federal no sertão de Pernambuco, quando viajava com Natacha, usando documentos falsos.

A bailarina diz que conheceu Valdeci como Joaquim, suposto empresário do ramo agropecuário, e que o relacionamento durou cerca de três meses. Mesmo após a prisão dele, ela realizou ao menos quatro visitas à penitenciária, fato citado pelo MP-RN como um dos indícios da investigação.

Os promotores afirmam que, entre 2014 e 2024, Natacha movimentou mais de R$ 15 milhões em suas contas, valor considerado incompatível com a renda declarada. Ela sustenta que os recursos são provenientes de trabalhos artísticos e publicidade.

Durante o período em que esteve presa, Natacha afirma ter desenvolvido depressão e síndrome do pânico, condições para as quais segue em tratamento. Segundo ela, o retorno aos ensaios da Gaviões fez parte do processo de recuperação emocional.

Com quase 1 milhão de seguidores nas redes sociais, Natacha também anunciou a intenção de lançar um livro de memórias sobre a experiência no cárcere e a criação de um projeto social voltado ao apoio de mulheres que deixam o sistema prisional.

Neste carnaval, a musa desfila à frente da décima ala da Gaviões da Fiel, que será a quarta escola a entrar no Sambódromo do Anhembi, no dia 14, às 1h45. O samba-enredo é “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, que celebra a luta, a resistência e o legado dos povos indígenas do Brasil.

Fonte: G1

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