Saúde As 10 maiores mentiras sobre vacinas que viralizam no Telegram — e o que a ciência já sabe sobre cada uma Redação17 de outubro de 2025027 visualizações Um levantamento inédito da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que o Brasil concentra 40% de toda a desinformação antivacina da América Latina e Caribe. O estudo, conduzido pelo Laboratório DesinfoPop, analisou 1,47 milhão de mensagens publicadas entre 2019 e 2025 em 1.785 comunidades conspiratórias do Telegram, que somam 5,8 milhões de usuários ativos. Os pesquisadores identificaram 175 falsos “danos” atribuídos às vacinas e 80 supostos “antídotos”, que vão de argilas detox a dióxido de cloro. O cruzamento dessas alegações com dados científicos e oficiais mostrou que a desinformação opera como um “mercado do medo”: primeiro cria o pânico e, depois, oferece uma “cura” paga. “O medo é o combustível da desinformação — e também o produto que ela vende”, afirma Ergon Cugler, coordenador do DesinfoPop e autor principal do estudo. Para marcar o Dia Nacional da Vacinação, o g1 reuniu quatro das principais referências brasileiras em imunização — Luana Araújo, Renato Kfouri, Isabella Ballalai e Mônica Levi — para explicar, com base científica, as dez maiores mentiras sobre vacinas que circulam no Telegram. Entre as alegações mais frequentes estão: “Vacinas causam morte súbita” (15,7%) — coincidência temporal, não causal. “Vacinas mudam o DNA” (8,2%) — o RNA não entra no núcleo da célula. “Vacinas causam AIDS” (4,3%) — manipulação de termos sem base científica. “Vacinas envenenam o corpo” (4,1%) — doses seguras, testadas e controladas. “Vacinas causam câncer” (2,9%) — pelo contrário, previnem tumores. “Vacinas causam cegueira” (2,0%) — sem evidências; infecções sim aumentam risco ocular. “Vacinas formam microcoágulos invisíveis” (1,9%) — distorção de casos raros já controlados. “Vacinas causam miocardite” (1,8%) — quadro raro e leve; doença é muito mais perigosa. “Vacinas contêm vermes vivos” (1,3%) — falso; vacinas são estéreis e rigorosamente testadas. “Vacinas provocam aborto” (1,3%) — estudos mostram segurança e proteção para mãe e bebê. O relatório conclui que o Brasil é o epicentro regional da desinformação antivacina, alimentada por medo, manipulação e interesses comerciais. “A hesitação vacinal não é só ignorância — é falta de educação científica. Quando a ciência não chega, a fantasia ocupa o espaço”, resume Mônica Levi, presidente da SBIm. Fonte: G1