BC decreta liquidação do Banco Pleno e FGC deve desembolsar R$ 4,9 bilhões

por Redação

O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM. Segundo a autoridade monetária, o conglomerado é de pequeno porte, enquadrado na categoria S4. A decisão foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira, infringência às normas e inobservância de determinações”.

De acordo com o BC, o grupo representa 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

O Banco Pleno tinha diretores envolvidos com o Banco Master, o que poderia gerar risco reputacional. A instituição, anteriormente chamada de Banco Voiter, integrava o conglomerado do Master e foi separada após a compra por Augusto Lima, em julho de 2025.

Em nota, o Banco Central informou que seguirá apurando responsabilidades dentro de suas competências legais. O resultado pode levar à aplicação de sanções administrativas e comunicações a outras autoridades. Conforme a legislação, os bens dos controladores e administradores ficam indisponíveis.

Assim como o Banco Master, o Banco Pleno oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas elevadas. Emissões de 2024 com vencimento em novembro do ano passado pagavam 114% do CDI, enquanto papéis com vencimento em novembro de 2030 rendiam 115% do CDI. Mesmo após sair do conglomerado do Master, os CDBs da instituição continuavam disponíveis em plataformas como a XP Investimentos.

Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deverá desembolsar cerca de R$ 4,9 bilhões para cobrir depósitos elegíveis de aproximadamente 160 mil credores. O valor corresponde ao total estimado dentro do limite de garantia de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Os pagamentos seguirão o regulamento do fundo, com base nas informações do liquidante nomeado pelo BC.

Analistas avaliam, no entanto, que o impacto é reduzido em comparação ao Banco Master. Segundo Michael Viriato, estrategista da Casa do Investidor, o volume de CDBs do Pleno representa cerca de 10% do que havia no Master, com efeito limitado para o FGC.

O episódio deve reacender o debate sobre possíveis mudanças nas regras do fundo. Entre as propostas discutidas estão ampliar a responsabilidade de instituições de médio porte e rever o modelo de cobertura integral até o limite garantido.

Para William Eid, da FGV-Cef, a concentração dos depósitos elegíveis em grandes bancos levanta a necessidade de discutir maior responsabilidade das instituições médias. Já Viriato defende a revisão da cobertura total, sugerindo modelos que garantam apenas o principal ou criem mecanismos de corresponsabilidade do investidor.

Fonte: valorinveste

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