Mundo Bolsas globais afundam, petróleo despenca e dólar cai mais de 1%, após tarifas de Trump Redação3 de abril de 2025020 visualizações Um dia após a ofensiva comercial lançada por Donald Trump, com tarifas em larga escala, as principais Bolsas do mundo operam em forte queda nesta quinta-feira (3), com os investidores cautelosos sobre as possíveis consequências na inflação e no crescimento das economias. O dólar cai no mundo todo. No Brasil, a moeda americana recua mais de 1%. O Ibovespa abriu em queda, mas inverteu o sinal e passou a subir. Trump anunciou as chamadas tarifas recíprocas, em evento nos jardins da Casa Branca ontem. Os produtos brasileiros serão taxados em 10% a partir de sábado, assim como uma centena de países. Essa é a menor alíquota dentro da lista de nações atingidas pela nova política tarifária da Casa Branca. Mas outros países terão uma sobretaxa bem maior, como a China, que terá tarifa recíproca de 34%, além dos 20% que já haviam sido aplicados. Os produtos da União Europeia serão taxados em 20%. Nos EUA, as bolsas estão desabando. Análise da Bloomberg diz que o S&P pode perder US$ 1,7 trilhão como resultado das tarifas, pois elas afetam duramente empresas americanas, como Apple e Nike, que têm fábricas em países asiáticos. Por volta de 11h (horário de Brasília), os índices cediam conforme abaixo: S&P: – 4,02%Dow Jones: -3,69%Nasdaq: – 4,92%— Os números são surpreendentemente altos em comparação com o que as pessoas esperavam e são inexplicáveis de muitas formas —disse Peter Tchir, chefe de estratégia macro da Academy Securities, ao jornal The New York Times. — Acho que é um desastre. Em reação ao tarifaço, todas as principais Bolsas da Europa tinham baixas: Londres: – 1,61%Paris: – 3,22%Frankfurt: – 2,55%Madri: – 1,23%Milão: – 3,25%A União Europeia afirmou que as tarifas são um “golpe na economia mundial”, mas afirmou que “ainda não é tarde demais” para negociações. Mas é na Ásia onde estão os países mais afetados pela nova política de Trump. As Bolsas do continente fecharam com desvalorização: Tóquio: – 2,77%Shenzhen: – 1,40%Xangai: – 0,24%Hong Kong: – 1,52%Seul: – 0,76%O presidente republicano impôs tarifas elevadas para várias economias da região, incluindo aliados importantes como Japão (24%), Coreia do Sul (25%) e Taiwan (32%). Para a Tailândia, o imposto será de 36%, enquanto para o Vietnã, um polo manufatureiro essencial na cadeia global, a taxa atingirá 46%. Petróleo cai mais de 5%Diante de tanta incerteza, os investidores correram por ativos considerados seguros, como o ouro, num primeiro momento. O metal chegou a alcançar cotação recorde de US$ 3.167,84 (R$ 17.927) a onça (31,1 gramas). Mas depois recuou. Por volta de 11h, caía 2,1%, a US$ 3.068,88 a onça, segundo a Bloomberg. No mercado cambial, “o dólar americano caiu e registrou a menor cotação desde que Trump chegou à Casa Branca”, destacou a analista Ipek Ozkardeskaya. O valor do dólar americano em relação a uma cesta de outras moedas importantes caiu mais de 2%, registrando seu pior dia desde o finm de 2022. No Brasil, a moeda americana caía 1,29%, cotada a R$ 5,6252. O Ibovespa abriu o dia em baixa, inverteu o sinal e passou a subir, com avanço de 0,69% No mercado de petróleo, o preço do barril de Brent, referência global, recuava 6,43%, a US$ 70,10, e o de seu equivalente americano, o Texas (WTI), caía 7,01%, a US$ 66,68. Com, isso, as ações da Petrobras caem com força. Os papéis PN (sem direito a voto) da petroleira recuavam 3,25%, enquanto as ON (com voto) cediam 3,75%. Tarifas do início do século XXOs economistas do Deutsche Bank apontaram que “a taxa média das tarifas sobre as importações americanas poderá ficar entre 25% e 30%, o que corresponderia aos níveis do início do século XX”. Diante da mudança de paradigma inédita no comércio internacional em quase um século, o secretário americano do Tesouro, Scott Bessent, desaconselhou a adoção de represálias para evitar “uma escalada”. — Sentem, assimilem, vejamos como será. Porque se adotarem represálias, haverá uma escalada. Se não adotarem represálias, esse é o ponto máximo — declarou Bessent. — Teremos que observar o impacto das tarifas nas margens, no consumo, nas taxas e na inflação para julgar a profundidade do impacto na inflação e no crescimento. No momento, ainda há alguma incerteza — comentou Florian Ielpo, diretor de pesquisa macroeconômica na Lombard Odier IM. — As estimativas históricas indicam um aumento da inflação de 3% a curto prazo, mas também um impacto negativo de 1,5% no crescimento mundial nos próximos 18 meses — destacou o economista. Fonte: OGLOBO