Bolsas globais afundam, petróleo despenca e dólar cai mais de 1%, após tarifas de Trump

Um dia após a ofensiva comercial lançada por Donald Trump, com tarifas em larga escala, as principais Bolsas do mundo operam em forte queda nesta quinta-feira (3), com os investidores cautelosos sobre as possíveis consequências na inflação e no crescimento das economias. O dólar cai no mundo todo. No Brasil, a moeda americana recua mais de 1%. O Ibovespa abriu em queda, mas inverteu o sinal e passou a subir.

Trump anunciou as chamadas tarifas recíprocas, em evento nos jardins da Casa Branca ontem. Os produtos brasileiros serão taxados em 10% a partir de sábado, assim como uma centena de países. Essa é a menor alíquota dentro da lista de nações atingidas pela nova política tarifária da Casa Branca.

Mas outros países terão uma sobretaxa bem maior, como a China, que terá tarifa recíproca de 34%, além dos 20% que já haviam sido aplicados. Os produtos da União Europeia serão taxados em 20%.

Nos EUA, as bolsas estão desabando. Análise da Bloomberg diz que o S&P pode perder US$ 1,7 trilhão como resultado das tarifas, pois elas afetam duramente empresas americanas, como Apple e Nike, que têm fábricas em países asiáticos. Por volta de 11h (horário de Brasília), os índices cediam conforme abaixo:

S&P: – 4,02%
Dow Jones: -3,69%
Nasdaq: – 4,92%
— Os números são surpreendentemente altos em comparação com o que as pessoas esperavam e são inexplicáveis de muitas formas —disse Peter Tchir, chefe de estratégia macro da Academy Securities, ao jornal The New York Times. — Acho que é um desastre.

Em reação ao tarifaço, todas as principais Bolsas da Europa tinham baixas:

Londres: – 1,61%
Paris: – 3,22%
Frankfurt: – 2,55%
Madri: – 1,23%
Milão: – 3,25%
A União Europeia afirmou que as tarifas são um “golpe na economia mundial”, mas afirmou que “ainda não é tarde demais” para negociações.

Mas é na Ásia onde estão os países mais afetados pela nova política de Trump. As Bolsas do continente fecharam com desvalorização:

Tóquio: – 2,77%
Shenzhen: – 1,40%
Xangai: – 0,24%
Hong Kong: – 1,52%
Seul: – 0,76%
O presidente republicano impôs tarifas elevadas para várias economias da região, incluindo aliados importantes como Japão (24%), Coreia do Sul (25%) e Taiwan (32%). Para a Tailândia, o imposto será de 36%, enquanto para o Vietnã, um polo manufatureiro essencial na cadeia global, a taxa atingirá 46%.

Petróleo cai mais de 5%
Diante de tanta incerteza, os investidores correram por ativos considerados seguros, como o ouro, num primeiro momento. O metal chegou a alcançar cotação recorde de US$ 3.167,84 (R$ 17.927) a onça (31,1 gramas). Mas depois recuou. Por volta de 11h, caía 2,1%, a US$ 3.068,88 a onça, segundo a Bloomberg.

No mercado cambial, “o dólar americano caiu e registrou a menor cotação desde que Trump chegou à Casa Branca”, destacou a analista Ipek Ozkardeskaya.

O valor do dólar americano em relação a uma cesta de outras moedas importantes caiu mais de 2%, registrando seu pior dia desde o finm de 2022.

No Brasil, a moeda americana caía 1,29%, cotada a R$ 5,6252. O Ibovespa abriu o dia em baixa, inverteu o sinal e passou a subir, com avanço de 0,69%

No mercado de petróleo, o preço do barril de Brent, referência global, recuava 6,43%, a US$ 70,10, e o de seu equivalente americano, o Texas (WTI), caía 7,01%, a US$ 66,68.

Com, isso, as ações da Petrobras caem com força. Os papéis PN (sem direito a voto) da petroleira recuavam 3,25%, enquanto as ON (com voto) cediam 3,75%.

Tarifas do início do século XX
Os economistas do Deutsche Bank apontaram que “a taxa média das tarifas sobre as importações americanas poderá ficar entre 25% e 30%, o que corresponderia aos níveis do início do século XX”.

Diante da mudança de paradigma inédita no comércio internacional em quase um século, o secretário americano do Tesouro, Scott Bessent, desaconselhou a adoção de represálias para evitar “uma escalada”.

— Sentem, assimilem, vejamos como será. Porque se adotarem represálias, haverá uma escalada. Se não adotarem represálias, esse é o ponto máximo — declarou Bessent.

— Teremos que observar o impacto das tarifas nas margens, no consumo, nas taxas e na inflação para julgar a profundidade do impacto na inflação e no crescimento. No momento, ainda há alguma incerteza — comentou Florian Ielpo, diretor de pesquisa macroeconômica na Lombard Odier IM.

— As estimativas históricas indicam um aumento da inflação de 3% a curto prazo, mas também um impacto negativo de 1,5% no crescimento mundial nos próximos 18 meses — destacou o economista.

Fonte: OGLOBO

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