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Carros de luxo e viagens pela Europa: operação revela ostentação e conexões internacionais de líderes do PCC

A mais recente ofensiva do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) revelou o estilo de vida luxuoso e o poder financeiro de três criminosos apontados como integrantes da cúpula da facção: Sérgio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, Eduardo Magrini, o “Diabo Loiro”, e Álvaro Daniel Roberto, o “Caipira”.

Deflagrada nesta quinta-feira (30), a Operação Off White teve como alvo um sofisticado esquema de ocultação de patrimônio, que utilizava empresas de compra e venda de veículos, imóveis e negócios rurais para disfarçar a origem ilícita de recursos oriundos do tráfico de drogas. A ação é um desdobramento das operações Linha Vermelha e Pronta Resposta, que já haviam revelado planos do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Segundo o MPSP, o grupo estabeleceu “sólidas conexões entre traficantes e empresários” para movimentar grandes somas e mascarar os reais beneficiários. A Justiça determinou o bloqueio de 12 imóveis de luxo e valores em contas bancárias, além de expedir 9 mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, Luís Carlos dos Santos, pai de um dos investigados, morreu em confronto com a Polícia Militar em Campinas. Um sargento ficou ferido.

Foragidos e presos

Entre os principais alvos estão “Mijão” e “Caipira”, ambos foragidos. Considerado um dos chefes do alto escalão do PCC, “Mijão” é investigado por comandar a logística de compra e envio de cocaína da Bolívia ao Brasil, onde viveria sob identidade falsa em Santa Cruz de La Sierra. A PF e o MP apontam que ele mantém mansões de luxo e uma rede de falsificadores, além de ter sido citado em investigações sobre o plano de assassinato do promotor.

Já “Caipira”, ligado ao megatraficante colombiano Juan Carlos Abadia, teria operado rotas de tráfico internacional para a Europa, controlando a saída de drogas da Bolívia, Paraguai e Peru. Preso em 2013, ele fugiu em 2014 de um presídio mineiro e segue procurado.

Entre os presos está Eduardo Magrini, o “Diabo Loiro”, figura antiga no PCC e suspeito de envolvimento nos ataques de 2006 em São Paulo. Apontado como membro da “sintonia FM”, setor que administra pontos de venda de drogas, Magrini ostentava nas redes sociais uma vida de luxo, com carros importados, viagens pela Europa e fotos com armas, sob o disfarce de “influencer digital” e “produtor rural”.

As buscas foram realizadas em condomínios de alto padrão de Campinas (Alphaville, Entreverdes, Jatibela e Swiss Park), além de Mogi Guaçu e Artur Nogueira. O MPSP afirma que, após desavenças internas, os investigados tentaram “dissipar o patrimônio e ocultar os beneficiários reais” — o que levou à deflagração da Off White.

Fonte: OGLOBO

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