A defesa da médica Juliana Brasil, acusada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, afirmou que a prescrição incorreta de adrenalina intravenosa registrada no prontuário foi resultado de uma falha do sistema informatizado do Hospital Santa Júlia, e não de negligência. Os advogados apresentaram um vídeo que, segundo eles, demonstra que o sistema pode alterar automaticamente a via de administração indicada pelo profissional.
De acordo com a defesa, Juliana havia prescrito adrenalina via inalatória, mas o sistema registrou erroneamente a aplicação por via intravenosa durante instabilidades enfrentadas pela plataforma naquele dia. A médica, segundo o advogado Felipe Braga, reconheceu o erro “no calor do momento” e não configuraria admissão de culpa.
O menino Benício foi atendido no hospital no dia 22 de novembro com suspeita de laringite. A médica prescreveu dexametasona, hidroxizina e adrenalina, além de solicitar exame de raio-X do tórax. A técnica de enfermagem aplicou a adrenalina por via intravenosa, apesar de alertas da mãe sobre a forma de aplicação.
Após a administração, a médica tomou medidas imediatas: pediu apoio do coordenador, encaminhou o menino à sala vermelha e acompanhou o atendimento até a transferência para a UTI. No local, Benício foi intubado e sofreu seis paradas cardíacas até a constatação de morte cerebral, na madrugada do dia 23 de novembro.
A defesa argumenta que o caso envolve múltiplos fatores: falhas do sistema informatizado, protocolos de enfermagem, procedimentos da farmácia e atendimento posterior na UTI. “Falar em dolo é um absurdo jurídico. A médica atuou o tempo todo, pediu ajuda, seguiu protocolos. Quando muito, fala-se em culpa, e isso ainda depende da análise das múltiplas causas envolvidas”, disse Braga.
O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) abriu processo ético sigiloso, e o Hospital Santa Júlia afastou a médica e a técnica de enfermagem envolvida. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio doloso qualificado, considerando a possibilidade de crueldade. Juliana permanece protegida por habeas corpus.
A defesa apresentou o vídeo do sistema como prova de instabilidade da plataforma, reforçando que a via intravenosa registrada não foi uma decisão manual da médica. A acareação entre a médica e a técnica de enfermagem está marcada para quinta-feira (4).
Fonte: G1