Um caso considerado extremamente raro chamou a atenção de cientistas na Colômbia ao confirmar que dois irmãos gêmeos têm o mesmo mãe, mas pais diferentes. O episódio foi identificado em 2018 por pesquisadores do Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia, após uma mulher procurar o serviço para realizar um teste de paternidade.
O resultado surpreendeu até especialistas experientes: tratava-se de um fenômeno conhecido como superfecundação heteropaternal, registrado em cerca de 20 casos científicos no mundo. O exame foi repetido para descartar qualquer erro — e confirmou que apenas um dos gêmeos tinha compatibilidade genética com o suposto pai.
A análise foi feita por meio de marcadores microssatélites, técnica que compara fragmentos do DNA da mãe, das crianças e do possível pai em 15 a 22 pontos específicos. Após coleta e amplificação do material genético, os dados são convertidos em sequências numéricas para análise probabilística. No caso colombiano, foram avaliados 17 marcadores, resultando na confirmação incomum.
Segundo o diretor do laboratório, William Usaquén, com 26 anos de experiência, foi a primeira vez que presenciou um caso do tipo. A raridade se explica por uma combinação de fatores biológicos pouco frequentes: a mulher precisa ter relações com dois parceiros em curto intervalo de tempo, liberar mais de um óvulo no mesmo ciclo (poliovulação) e ocorrer fecundação em ambos — tudo dentro de um período estimado de 24 a 36 horas.
Estudos internacionais reforçam a baixa incidência. Uma pesquisa com 39 mil testes de paternidade identificou apenas três casos semelhantes. Além disso, a maioria das situações pode nunca ser descoberta, já que testes genéticos nem sempre são realizados.
Os especialistas destacam que gêmeos com pais diferentes nunca são idênticos, pois se originam de óvulos distintos fecundados por espermatozoides diferentes. Apesar do interesse científico, os pesquisadores ressaltam que a investigação respeita rigorosamente a privacidade dos envolvidos.
Com o avanço dos métodos genéticos e o aumento da realização de testes de paternidade, a tendência é que casos como este deixem de ser tão raros — embora ainda permaneçam como exceções dentro da biologia humana.
Fonte: G1