Mulheres grávidas que tentam montar o enxoval dos filhos na Vila Sabrina, Zona Norte de São Paulo, têm enfrentado uma concorrência inusitada: as “mães” de bebês reborn — bonecas ultrarrealistas que imitam recém-nascidos.
Segundo lojistas da região, a procura por roupas de tamanho RN (recém-nascido) cresceu de forma significativa nos últimos meses, impulsionada por colecionadoras, crianças e até avós que compram peças para as bonecas.
“Tivemos que aumentar a produção de roupas RN porque muita gente compra para as reborn”, contou Luciene Fiuza, gerente de uma loja de fábrica local. “Dois anos atrás eu achava uma loucura, mas como as vendas subiram, agora acho ótimo para o bolso.”
Os itens mais procurados são bodies, mijõezinhos e camisetinhas, com preços que variam entre R$ 6 e R$ 20. Há casos em que os gastos passam de R$ 700. “Uma avó comprou bolsa de passeio, mamadeira e chupeta para a neta brincar com a boneca. Achei curioso, mas foi uma excelente venda”, contou a vendedora Débora Aparecida.
Grávidas relatam dificuldade para comprar
A fisioterapeuta Bruna Macedo, grávida de Martin, conta que enfrentou falta de peças neutras. “Fiquei surpresa quando a vendedora disse que tinham acabado por causa das mães e avós que compram para bebês reborn. Se chegar tarde na loja, realmente fica sem roupinha”, relatou.
Para ela, a “onda reborn” parece ter perdido força entre adultos, mas continua forte entre crianças. “Elas têm todo o direito de brincar, mas jamais imaginei competir com bonecas por roupinhas de bebê”, brincou.
Avós e mães de reborn impulsionam vendas
A vendedora Juliana Soares, que trabalha em uma loja da Avenida João Simão de Castro, confirma o movimento. “Antes, as avós faziam roupinhas de crochê para as bonecas. Hoje compram tudo pronto. Eu mesma comprei para a reborn da minha filha.”
Ela acredita que a brincadeira pode ter efeitos positivos. “Minha filha, de 12 anos, ficava o tempo todo no celular. Depois que ganhou a boneca, ficou mais calma e responsável. Acho que ajudou.”
Fenômeno curioso
O comércio local, conhecido por suas lojas de fábrica e preços populares, virou ponto de encontro de gestantes e “mães de boneca”. Lojistas relatam ainda casos inusitados: uma vendedora diz ter atendido uma cliente que pediu uma chupeta para ela mesma, afirmando que o objeto a ajudava a relaxar.
“Cada um faz o que quer da vida, mas aparecem pessoas aqui que, se eu conto em casa, ninguém acredita”, disse, rindo, Nicole Amaral, de 19 anos, funcionária de outra loja da região.
Fonte: G1