O Ministério da Educação (MEC) anulou três questões do segundo dia do Enem 2025 e acionou a Polícia Federal após a divulgação de que Edcley Teixeira, estudante de Medicina e produtor de conteúdo preparatório para o exame, antecipou perguntas da prova em uma live. A investigação foi iniciada depois que o g1 revelou a coincidência entre os enunciados mencionados por ele e os que apareceram no exame aplicado em 16 de novembro.
Em entrevista ao Fantástico, Edcley classificou como “coincidência” a semelhança entre as questões e admitiu ter pago alunos para memorizar perguntas aplicadas no Prêmio Capes Talento Universitário, em 2024, evento promovido pelo MEC e que funciona como pré-teste do Inep. O estudante afirmou que a prática fazia parte de uma estratégia de divulgação do próprio curso, algo que hoje considera uma “publicidade infeliz”.
A Polícia Federal apreendeu celular, computador e documentos de Edcley na manhã de sábado (23). A denúncia indica que ele antecipou em sua live perguntas “extremamente parecidas” com as da prova oficial — a jornalista Luiza Tenente identificou ao menos cinco questões com forte similaridade, incluindo números, cenários e alternativas quase idênticas.
Edcley negou ter tido acesso ao conteúdo do Enem, embora tenha reconhecido que as perguntas anuladas estavam presentes no concurso que participou em 2024. Ele disse ter percebido semelhanças entre os padrões do prêmio e os do Enem, suspeitando que se tratava de um tipo de pré-teste. A apuração do g1 revelou ainda que ele pagava candidatos para memorizar até dez itens da prova.
Especialistas apontaram fragilidades no Banco Nacional de Itens (BNI), responsável por armazenar todas as questões do Enem. Para a ex-presidente do Inep, Maria Helena Castro, o banco deveria ser mais robusto para reduzir a necessidade de pré-testes frequentes. Já o atual presidente do Inep, Manuel Palacios, negou qualquer vulnerabilidade no sistema. O ministro da Educação, Camilo Santana, assegurou que o Enem 2025 não será anulado, reforçando que o exame “é um patrimônio do Brasil”.
Fonte: FANTÁSTICO