Um procedimento estético realizado em um consultório particular resultou em 12 dias de internação, risco de morte e deformações permanentes no rosto da advogada Eloah Teixeira Carneiro Lins, de 56 anos. O caso levou a Justiça do Rio de Janeiro a tornar ré a cirurgiã-dentista Cynthia Heckert Brito pelos crimes de lesão corporal grave e lesão corporal gravíssima.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público e aceita pelo juiz da 28ª Vara Criminal do Rio, que também determinou a suspensão das atividades profissionais da dentista relacionadas à harmonização facial até o trânsito em julgado do processo. Para o magistrado, há risco concreto de novas lesões a terceiros caso a profissional continue atuando.
Segundo a investigação, a platismoplastia, conhecida como lipo de papada, foi realizada em 25 de novembro de 2024. A advogada relatou que, já no dia seguinte ao procedimento, apresentou inchaço intenso, escurecimento da pele e sinais evidentes de complicações, comunicados à profissional responsável.
Dois dias depois, com o quadro agravado, Eloah retornou ao consultório, mas não recebeu, segundo ela, o atendimento adequado. Posteriormente, foi levada ao Hospital Rios D’Or, onde foi internada em CTI com risco de vida devido a um hematoma extenso que comprometeu vias aéreas e a base da língua.
O Ministério Público apontou imperícia na execução do procedimento e destacou que a cirurgia não está expressamente prevista no rol de técnicas autorizadas para a odontologia. A promotoria concluiu que houve dolo eventual e solicitou, além da condenação, indenização mínima de R$ 200 mil à vítima.
A defesa da dentista afirma que o ocorrido foi uma intercorrência clínica, risco inerente a procedimentos estéticos, e que não houve erro profissional. Cynthia Heckert Brito informou que vai recorrer da decisão judicial, que considera desproporcional.
Conselhos Federal e Regional de Odontologia informaram que a platismoplastia não consta oficialmente entre os procedimentos reconhecidos para a harmonização orofacial, embora também não exista vedação expressa. O tema segue em análise técnica e jurídica pelos órgãos competentes.
Fonte: G1