Um tripulante que trabalhou com Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, piloto preso temporariamente nesta segunda-feira (9) acusado de chefiar uma rede de abuso sexual infantil, afirmou ao g1 estar “chocado” e sentir “nojo e repugnância” com os crimes investigados. Segundo o profissional, Sérgio transmitia no ambiente de trabalho uma imagem calma, educada e tranquila, completamente oposta à conduta atribuída pela polícia.
O piloto foi detido no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, durante o embarque em um voo da Latam. A audiência de custódia ocorreu na terça-feira (10) no Complexo Judiciário Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, o processo corre em segredo de justiça e ele segue preso, assistido por advogado.
A investigação da Polícia Civil, que durou cerca de três meses, aponta que Sérgio levava crianças e adolescentes a motéis usando documentos falsos, recebendo imagens das vítimas via WhatsApp em troca de pagamentos. Até o momento, dez vítimas foram identificadas em São Paulo, mas o número pode ser maior. A polícia também apura com quem o material era compartilhado.
Além do piloto, a avó de três vítimas foi presa temporariamente e a mãe de outra criança foi detida em flagrante por armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil.
A delegada Ivalda Aleixo, chefe do DHPP, explicou que a prisão foi realizada no aeroporto devido à dificuldade de localizar o suspeito em casa. Ela destacou ainda que a esposa de Sérgio, psicóloga, ficou horrorizada ao tomar conhecimento dos crimes.
A operação, batizada de “Apertem os Cintos”, cumpre mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Guararema, e investiga estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e exploração sexual de crianças e adolescentes. Segundo a polícia, os crimes indicam estrutura organizada, com habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos.
Em nota, a Latam Airlines Brasil afirmou que abriu apuração interna e está à disposição das autoridades, repudiando veementemente qualquer ação criminosa. O voo que seria operado por Sérgio, LA3900 (São Paulo/Rio de Janeiro), decolou e pousou normalmente.
Fonte: G1