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Segurança

Segurança

Chefe do PCC para ataques de ‘novo cangaço’ passou para estágio de Direito no MP e assinaria posse no dia da prisão

por Redação 12 de setembro de 2024

Apontada como uma das chefes do núcleo do Primeiro Comando da Capital (PCC) responsável por ataques conhecidos como “novo cangaço” ou “domínio de cidades”, Elaine Souza Garcia foi aprovada no programa de estágio para estudantes de Direito do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e assinaria a posse para o cargo na cidade de Itapeva a partir de terça-feira (10).

No Diário Oficial do dia 4 de setembro, uma publicação assinada pelo procurador-geral de Justiça de SP, Sérgio de Oliveira e Costa, confirma o chamamento dos candidatos aprovados no processo ao estágio da área de Direito, convocando os selecionados a assinar o termo de posse e começaria na função a partir do dia 10 de setembro. Elaine Souza Garcia aparece entre os oito convocados para a regional de Sorocaba, devendo se apresentar na Promotoria de Justiça de Itapeva (SP) às 9h.

No mesmo dia, no entanto, ela foi alvo de um mandado de prisão preventiva durante uma operação do próprio MP, em conjunto com a Polícia Federal (PF), que apontou a participação de CACs (Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores) no fornecimento de armas e munições para o PCC, além de treinamento para o manuseio e disparo de armamento de guerra usados em ataques a bancos, carros-forte e transportadora de valores.

Segundo a investigação, Elaine Souza Garcia tinha a função de coordenar o tráfico de drogas, a execução de rivais, o comércio ilegal de armas de fogo e munição para os ataques de “novo cangaço”. Nesse tipo de ação, os criminosos usam violência e armamento pesado para fazer roubos a bancos, caixas eletrônicos, carros-forte e transportadoras de valores, normalmente acompanhados de muita violência e terror social.

Ela também aparece em um vídeo obtido pela GloboNews (veja acima) recebendo treinamento de um CAC para manusear e atirar um fuzil. Desde julho, Elaine é ré com outras 17 pessoas em um processo que apura a relação do PCC com colecionadores e atirados para ataques em pelo menos quatro cidades do Brasil: Criciúma (SC) (2020), Guarapuava (PR) (2022), Araçatuba (SP) (2021) e Confresa (MT) (2023).

Ela já era investigada e monitorada antes da denúncia. Em maio, a primeira fase da Operação Daal, o companheiro dela, Delvane Lacerda, além de outros integrantes da facção criminosa e CACs que forneciam armas para a organização.

A GloboNews tenta contato com a defesa de Elaine Souza Garcia, mas nenhum advogado foi localizado para se manifestar sobre o assunto.

Fontes ouvidas pela GloboNews veem como “perigosa” a possibilidade de tentativa de infiltração do crime organizado no Ministério Público de São Paulo, assim como foi denunciado pelo próprio MP em empresas do transporte de ônibus municipal da capital paulista, fraudes em licitações em Guarulhos (SP) e em eleições municipais no interior do estado.

Processo de estágio
O processo seletivo para vagas de estudantes de graduação de Direito no Ministério Público de São Paulo foi organizado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).

O CIEE disse, por meio de nota, que “o processo seletivo do MPSP seguiu os protocolos de segurança da organização estabelecidos no edital, tais como: apresentação de atestado de boa conduta e certidões de distribuições criminais estadual e federal”.

O MPSP informou que “a diretoria-geral da instituição, apertada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), tomou as devidas providências para impedir que a posse se concretizasse”.

Fornecedores de armas
Colecionadores de armas, atiradores e caçadores se tornaram fornecedores de armas e munições para facções criminosas no país, de acordo com operações da PF e do Ministério Público de São Paulo e da Bahia.

Em 2019, o governo de Jair Bolsonaro (PL) flexibilizou as regras dos CACs e permitiu que mais pessoas tivessem acesso a armas por meio dessa modalidade. Com as mudanças, o número de novas armas registradas por ano saltou de 59 mil, em 2018, para 431 mil em 2022 – último ano de mandato do ex-presidente.

Treinamento com fuzil
Um vídeo obtido pelos promotores e delegados mostra quando o investigado Otávio de Magalhães, que tem registro como CAC, explica para Elaine e seu companheiro, Delvane Lacerda (vulgo Pantera) – como usar um fuzil (veja acima).

De acordo com a PF e o MP, Otávio responde por porte irregular de arma de uso restrito e tinha a função de comprar e vender de maneira ilegal armamento e munição para a facção criminosa. Quem é CAC pode comprar armas e munições legalmente, mas não revendê-las.

Na casa de Otávio Magalhães, os investigadores relatam ter encontrado “verdadeiro arsenal bélico, como dezenas de armas de fogo com e sem registro, milhares de munições, acessórios, pólvora, artefatos explosivos de fabricação caseira e acionador, “objetos comumente empregados na prática de roubos na modalidade “domínio de cidade”.

Na terça-feira (10), a PF e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, deflagraram a segunda fase da Operação Baal e prenderam três pessoas ligadas a ataques do “novo cangaço”.

Foram presos:

  • JAKSON OLIVEIRA SANTOS (Dako): integrante do PCC que permaneceu foragido de 2005 até 2024, quando foi preso em outra investigação feita pelo Gaeco de Campinas (SP). Na ocasião, foram apreendidas armas de fogo, acessórios, munições, roupas camufladas e outros objetos usados na prática de crimes violentos (alvo já estava preso e foi cumprido novo mandado de prisão preventiva na cadeia).
  • LAINE SOUZA GARCIA: segundo a investigação, fez o treinamento com o fuzil, e também tinha a função de coordenar o tráfico de drogas, a execução de rivais, e o comércio ilegal de armas de fogo e munição.
  • DIOGO ERNESTO NASCIMENTO SANTOS: segundo a investigação, ele foi preso pelo crime de receptação em Rondonópolis (MT). Obteve a liberdade provisória, mas deixou de cumprir as medidas cautelares judiciais e, por isso, teve novo pedido de prisão preventiva aceito. A apuração indica que, além de exercer papel fundamental no núcleo financeiro da organização criminosa, estava ligado inclusive à prática de execuções.


A GloboNews tentou contato com os alvos citados na investigação, mas, até a última atualização desta reportagem, as defesas não foram encontradas para comentar o assunto.

Fonte: G1

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Segurança

Direito ao silêncio: entenda princípio que anulou confissão de mulher acusada de matar marido após fala de perita em podcast

por Redação 11 de setembro de 2024

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) declarou nula, em maio deste ano, a confissão dada por uma mulher acusada de matar o marido após uma das policiais que atuou no caso dizer, durante participação em um podcast, que forçou a declaração da ré.

Segundo os autos, a suspeita, Adriana Pereira Siqueira, matou o companheiro a facadas e foi presa em flagrante no dia seguinte ao crime, após confessar o assassinato à equipe da Polícia Civil. Sua defesa impetrou um habeas corpus citando o relato e conseguiu a anulação do depoimento informal.

A ministra Daniela Teixeira, da 5ª turma do STJ, fundamentou sua decisão com base no artigo 5º, inciso LXIII, da Constituição Federal;
O texto da lei diz: “O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”;
Daniela apontou: “[…] a Perita Telma Rocha, que atuou no presente feito, descreve, com detalhes, a violação do direito ao silêncio da paciente, decorrente do princípio da não autoincriminação”;
A relatora do caso explica que a perita “convenceu a paciente a confessar o crime sem informar de seu direito ao silêncio, bem como a busca e apreensão realizada na casa da paciente logo após a conversa”.

A ré é chamada de paciente porque o habeas corpus é classificado como um remédio constitucional, que tem por objetivo impedir ou evitar ilegalidades ou abuso de poder.

O que é direito ao silêncio
Para Bruno Borragine, sócio do Bialski Advogados, a decisão do STJ foi acertada: “O direito ao silêncio é expressão da autodefesa passiva do acusado, ou seja, reflete a presunção de inocência daqueles que são alvos do Estado, sendo incompatível com qualquer medida de coerção ou artimanha empregada por agentes de persecução penal para obter uma prova que já nasce imprestável”.

Borragine explica que o direito ao silêncio tem seu fundamento em pactos civis e políticos internacionais. “Se a defesa bem demonstrou, de maneira criativa, a forma como foi obtida a confissão da acusada, não precedida de aviso legal sobre a possibilidade de silêncio e não autoincriminação, comprovado está o erro estatal cuja consequência é a declaração de nulidade do ato e de todas as provas que dele derivam”, completou.

O advogado criminalista Anderson Almeida destaca que a ministra concedeu o habeas corpus de ofício porque existia, no caso, uma flagrante ilegalidade.

“Que ilegalidade era essa? É, justamente, a falta de comunicação, de advertência por parte dos policiais, à pessoa que estava sendo investigada, dos direitos que ela possui. Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo”, afirma.

Segundo o especialista, o procedimento correto é encaminhar a pessoa investigada à delegacia para prestação de depoimento formal.

“Além de não ter sido adotado procedimento correto, que é o ponto principal, pior: ela foi pressionada a confessar. A própria policial diz ‘Se você confessar, você vai ter um benefício’. Depois, ela faz até uma chacota quando os entrevistadores perguntam se, de fato, haveria um benefício. Ela fala ‘Não sei’. Como um policial vai prometer um benefício a uma pessoa sendo que isso vai contra a regra do Código de Processo Penal”, questiona Almeida.

O advogado Adib Abdouni, constitucionalista e criminalista, complementa: “O direito ao silêncio é garantia constitucional prevista no artigo 5º, LXIII, da Carta da República, o qual estabelece que permanecer calado é um dos direitos do acusado. Direito esse que o acusado pode exercer integralmente, nada dizendo em seu interrogatório, ou de maneira parcial, respondendo a apenas algumas das perguntas que lhe forem realizadas, independentemente de quem seja o autor das questões, ou seja, o chamado silêncio seletivo”.

Fala de peritos em podcast
Em março de 2022, a fotógrafa técnico-pericial Telma Rocha e o perito criminal Leandro Lopes, que atuaram da investigação do crime, participaram do podcast Inteligência Ltda. e comentaram alguns detalhes do caso, o que motivou a decisão do STJ.

Telma disse que, quando estava na cena do crime, ao conversar com a suspeita, percebeu que a mulher estava com a unha e calça sujas com o que parecia ser sangue (confira as falas abaixo).

— Eu falei: ‘Olha, deixa eu te falar uma coisa, eu vou conversar com você bem devagar, você não me responde enquanto eu estiver falando, você vai pensando na resposta’. E aí o doutor sinalizou como quem está dizendo ‘Vai embora’.

— ‘Eu vi que tem sangue embaixo da sua unha’. Ela falou: ‘Mas eu estou menstruada’. Eu falei ‘Não precisa me responder, mas não esqueça que você está falando com uma mulher, porque eu também menstruo”.

— Fui enrolando ela um pouco, falando que às vezes a gente quer tomar uma atitude, mas, no calor da emoção, a gente toma outra atitude e isso não está previsto, que ela não ia sair de lá esculachada, algemada ou no camburão da viatura.

— E ela: ‘Não fui eu, não fui eu’. Eu falei: ‘Calma, deixa eu acabar de falar’.

— E aí a gente deu mais uma forçadinha. […] Eu falei: ‘Só que você confessar agora para a autoridade policial vai te trazer um benefício’.

— E aí ela falou: ‘Fui eu’. Naquela hora que a pessoa fala ‘fui eu’… Dentro de você aparecem dois pom-pons falando: ‘Uh, caralho!’

Decisão do STJ
Após a veiculação do podcast, a defesa de Adriana impetrou um habeas corpus solicitando a anulação do processo por violação de direito do silêncio, mas a Justiça não acatou o pedido.

No entanto, a ministra da 5ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Daniela Teixeira acatou em parte o instrumento processual:

“É possível ver e ouvir o relato da Sra. Telma, que detalha como convenceu a paciente a confessar o crime, sem informar de seu direito ao silêncio, bem como a busca e apreensão realizada na casa da paciente logo após a conversa”, apontou a ministra.

“Desse modo, verifico a nulidade da confissão extrajudicial da acusada e a busca domiciliar realizada na casa da paciente, uma vez que ela foi concedida sem o conhecimento de seus direitos e sem voluntariedade, de modo que declaro ilícitas tais provas”, justificou.

A ministra afirmou, ainda, que a conduta dos peritos é “extremamente censurável por expor um caso que não foi julgado nos meios de comunicação, utilizando palavreado inadequado, em ambiente com bebida alcoólica e violando o dever de impessoalidade que se exige dos servidores públicos”.

Por fim, ela determinou que os órgãos competentes apurem a conduta funcional de Telma e Leandro.

O g1 questionou o governo de São Paulo acerca da conduta dos policiais. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que os agentes são investigados por meio de procedimento administrativo instaurado pela Corregedoria, que tramita sob sigilo, de acordo com a Lei Orgânica da instituição.

Status do caso
Apesar de o STJ ter declarado a confissão nula, o órgão manteve a decisão de pronúncia em face da acusada, ou seja, Adriana Siqueira ainda será levada a julgamento pelo júri popular. Isso porque ela também prestou depoimento em juízo, seguindo os ritos legais.

Após a prisão em flagrante da acusada em 2018, a Justiça publicou sentença de pronúncia em 2019 e concedeu liberdade provisória à mulher. Agora, ela aguarda o júri popular, que tem data prevista para 30 de janeiro de 2025.

Na última sexta-feira (6), a 3ª Vara do Júri da Capital afirmou que não há de se falar em reconsideração da decisão que recebeu a denúncia e que as partes devem aguardar a data do júri.

Diante da decisão do STJ, a juíza determinou a retirada do interrogatório extrajudicial da acusada, o laudo da residência e o laudo de material genético que analisou amostras coletadas na residência da vítima. Além disso, a magistrada Isabel Rodriguez oficiou o Instituto de Criminalística para que encaminhe novo laudo do local dos fatos.

Fonte: G1

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Segurança

‘Home office’ do crime: chefes do tráfico do Nordeste e do Norte se refugiam nos morros do Rio

por Redação 9 de setembro de 2024

Os morros do Rio escondem hoje dezenas dos principais chefes do Comando Vermelho do Norte e do Nordeste do país, em especial dos estados onde a organização criminosa é predominante, segundo Victor dos Santos, secretário de Segurança Pública. São bandidos foragidos do Pará, do Amazonas, do Acre, de Rondônia, do Ceará, da Bahia, da Paraíba e do Rio Grande do Norte que, de favelas da capital e da Região Metropolitana, ordenam os mais variados crimes, como o tráfico de drogas e armas, a execução de inimigos e até a cobrança de taxas a candidatos à eleição municipal que querem fazer campanhas em territórios que controlam.

Vinícius Almeida, secretário de Segurança Pública do Amazonas, afirma que cinco dos 13 integrantes do conselho do CV estão escondidos no Complexo da Maré. De lá, os criminosos controlam a venda de drogas e o transporte da cocaína e do skank produzidos no Peru e na Colômbia e escoados pela Rota do Solimões — trajeto feito em pequenos barcos pelo rio da fronteira até Manaus, de onde a droga segue para outros estados.

— É como se fosse um home office — disse Almeida. — Do Rio, o CV controla 85% dos territórios periféricos do Amazonas, além da maior rota de transporte de droga localizada no estado.

Em julho, uma operação policial tentou capturar na capital fluminense Silvio Andrade Costa, o Barriga, número um do CV no Amazonas, e Caio Cardoso dos Santos, o Mano Caio, integrante do conselho. Os dois fugiram. Segundo Almeida, a topografia, a ocupação desordenada e o grande poder bélico da facção no Rio dificultam a entrada da polícia nas favelas. Ele defende uma estratégia federal para capturar esses chefes.

— Duas grandes organizações criminosas tomaram o país. A nação tem que tomar uma atitude coordenada, ter o protagonismo para buscar esses indivíduos. É difícil solicitar a outro estado que coloque o pessoal dele em risco para pegar um criminoso daqui — afirmou.

Rio faz escola
Ualame Machado, secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Pará, relata que os 13 membros do conselho do CV no estado estão presos ou nos complexos da Penha, da Maré ou do Salgueiro (São Gonçalo).

— Como estão juntos, conseguem fazer a reunião da liderança do Brasil todo. O Rio hoje ensina a outros estados como (o crime) é feito — disse Machado.

Um exemplo recente é a cobrança de um pedágio de candidatos à eleição municipal para entrar e fazer campanha em áreas controladas pela facção. De acordo com o secretário, todas as ligações identificadas até agora para extorquir dinheiro de postulantes ao pleito partiram de números com DDD 21, do Rio.

— Vários estados do Brasil estão enfrentando isso. E aí é aquele inimigo invisível. O cara manda uma mensagem e o candidato, às vezes, não quer pagar para ver, fica com medo. A gente não tem como fazer muita coisa que não seja subir (os morros) no Rio — ponderou.

Adriano Saraiva, promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Ceará, afirma que o avanço do Comando Vermelho no estado impulsionou a fuga de criminosos para o Rio. Em contrapartida à proteção que recebem, diz, esses chefes precisam demonstrar desempenho nos negócios criminosos.

— Eles têm de pagar para ficar lá. E o pagamento é com o “trabalho” aqui no Ceará, com o comércio das drogas e armas. Em troca, eles recebem proteção e amparo, como ajuda financeira aos familiares e o patrocínio de advogados para atuarem em suas defesas — pontuou Saraiva.

Em menor ou maior medida, os representantes das forças de segurança desses estados atribuem à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como ADPF das Favelas, o fortalecimento desses esconderijos. Ajuizada em 2019, trata-se de uma ação para reduzir a violência policial.

— A gente não pode dizer que ela impede o trabalho da polícia, mas colocou algumas amarras. Claro que entendo o objetivo dela, que não tenha mais operação aleatória e evite o efeito colateral envolvendo inocentes. Mas dificulta. No Pará, não há um beco que a gente não entre. No Rio, tem este encastelamento — opinou o secretário Machado.

Letalidade policial caiu
Daniel Sarmento, advogado da ADPF 635 e professor de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca os resultados positivos alcançados até agora. Desde o ajuizamento da ação, a letalidade policial no Rio diminuiu. Em 2019, foram 1.814 mortes por intervenção de agentes do Estado. Em 2023, 871. Isso não prejudicou, segundo ele, os resultados da política de segurança pública. Todos os indicadores estratégicos acompanhados apresentaram queda significativa, como o número de mortes violentas e o roubo de carga, de rua e de veículos.

— Não existe uma vedação de operação policial, apenas restrições para que não sejam banalizadas. Prender um líder de facção criminosa, sem dúvida, justifica uma operação policial.

Segundo Sarmento, a melhora nos indicadores foi possível graças à efetivação de diversas medidas, como a implementação de câmeras corporais e a comunicação das operações ao Ministério Público. Relator da ADPF, o ministro Edson Fachin, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), deve levá-la a votação ainda este ano.

Mais de cem presos
Daniel Hirata, coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni), da Universidade Federal Fluminense (UFF), pontua que operações policiais não são “exatamente efetivas” para conter a expansão dos grupos armados e do tráfico de drogas, em particular.

— O que poderia frear o avanço dessas organizações é uma atividade relacionada à inteligência e à investigação. E o que a gente observa é que a política de segurança pública, no geral, se baseia em operações policiais. Além disso, não há observação empírica de uma diminuição da frequência de operações policiais por causa da ADPF.

O secretário Victor dos Santos afirma que, em um ano, o Rio prendeu mais de cem integrantes do CV de outros estados. Ele ressaltou a dificuldade de realizar operações num cenário em que a topografia, a desordem urbana de décadas e as mais de 1.700 favelas não ajudam, independentemente da ADPF. E diz acreditar que os criminosos de outros estados procuraram mais o Rio depois da “propaganda inicial” de que a ADPF proibiria as operações.

— Nunca houve proibição. Na verdade, foram criadas regras. Isso construímos juntos, e achamos que teremos bons resultados com o julgamento — explicou.

Fonte: OGLOBO

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Segurança

Operação em 5 estados mira esquema de lavagem de dinheiro do tráfico que envolvia transporte de drogas em ambulâncias

por Redação 6 de setembro de 2024

A Polícia Civil do RJ iniciou nesta sexta-feira (6) uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico que envolvia transporte de drogas em ambulâncias.

Agentes da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro saíram para cumprir mandados de busca e apreensão em 33 endereços no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Amazonas e Mato Grosso, com o apoio de policiais civis desses estados.

O principal alvo é Alex Evangelista Mendes Silva, um empresário da área da saúde que utilizava suas ambulâncias para levar entorpecentes. Em 2021, um dos veículos dele foi flagrado na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Baixada Fluminense, com meia tonelada de maconha, que seria levada para comunidades da Zona Sul do Rio de Janeiro.

De acordo com as investigações, entre 2020 e 2021 Alex movimentou cerca de R$ 6,5 milhões, quantia incompatível com seu patrimônio e atividade econômica.

A delegacia também apurou que a rede de empresas e de indivíduos ligados a ele formava um complexo esquema de lavagem de dinheiro, com ramificações em vários estados brasileiros. Diversas transações suspeitas, envolvendo pessoas com capacidade financeira também incompatível, sugerem o uso de laranjas para mascarar as operações ilícitas.

Fonte: G1

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Segurança

Imagens mostram influencer chegando a festa horas antes de atropelar noivo no Recreio; homem segue foragido

por Redação 3 de setembro de 2024

Novas imagens obtidas pelo RJ2 mostram o influenciador Vitor Vieira Belarmino chegando a uma festa de aniversário de uma amiga horas antes do acidente que matou o fisioterapeuta Fábio Toshiro Kikuda, no Recreio dos Bandeirantes.

No vídeo, ele aparece chegando a festa com uma bolsa na mão, no dia 13 de julho, por volta de 22h30. Uma hora depois ele deixou a festa com cinco mulheres e uma menor de idade. Eles entraram juntos no mesmo elevador e foram embora na BMW conversível do homem.

O carro foi flagrado em alta velocidade na Avenida Lúcio Costa, onde aconteceu o acidente. A Polícia Civil indiciou Vitor Belarmino por homicídio doloso — quando há intenção de matar — e omissão de socorro.

Fábio Toshiro Kikuda tinha acabado de se casar e atravessava a Avenida Lúcio Costa com a noiva, Bruna, quando foi atingido pela BMW de Belarmino, que vinha em altíssima velocidade.

Quase 2 meses depois do acidente, o influenciador segue foragido. Até a última atualização desta reportagem, a defesa do influencer não tinha se manifestado.

Dobro da velocidade
No inquérito, a 42ª DP (Recreio) afirma que o influencer estava a 109 km/h na hora do impacto, mas chegou a 160 km/h momentos antes do acidente. O limite de velocidade da via é de 70 km/h — e será reduzido.

Um vídeo incluído no inquérito mostra o instante seguinte ao choque. As imagens são fortes. Fábio é arremessado, e seu corpo gira várias vezes no ar. A BMW só para metros adiante. Segundos depois, a noiva surge no quadro, em aparente desespero.

Outros indiciamentos
Belarmino também foi indiciado por fuga do local do acidente e omissão de socorro. Passageiras da BMW, Amanda Camargo e Silva, Mirelly da Silva Campos, Julia Teixeira de Sousa, Débora Letícia da Silva Paz e Karolayne Melo Fernandes Ferreira vão responder por omissão de socorro.

O trabalho da Polícia Civil foi realizado com oitivas de 13 testemunhas, análise de mais de 20 vídeos apreendidos e confecção de 10 laudos periciais.

Peritos concluíram que, se Belarmino estivesse trafegando na velocidade permitida da via, 70 km/h, teria condições de frear o carro antes do impacto.

A perícia afirma ainda que uma moto que seguia metros à frente da BMW não tocou em Fábio, possibilidade levantada pela defesa do influenciador.

O que disseram as passageiras
As passageiras disseram em depoimento que haviam saído da festa de aniversário de uma delas e decidiram ir à praia. Para chegar lá, aceitaram a carona do influenciador.

Todas afirmaram que, momentos antes do atropelamento, Vitor tentou cortar um outro veículo. O inquérito não traz nenhuma referência a esse fato — nas imagens de uma câmera de segurança, o carro segue em linha reta.

Duas das passageiras disseram que consideravam que o motorista estava em uma velocidade acima do normal.

O que já disse a defesa
Anteriormente, a defesa de Vitor Vieira Belarmino tinha declarado que o influenciador não estava alcoolizado e que estava dentro da velocidade permitida no momento da colisão — o que a perícia desmentiu.

Segundo o advogado Gabriel Habib, a defesa iria “provar no inquérito que foi um acidente e que Vitor não teve culpa na morte da vítima”.

Questionada por que Vitor não parou para prestar socorro, o advogado disse que “ele parou mais na frente, mas não voltou ao local do acidente porque ficou em choque, sem reação, e teve medo de linchamento, porque populares começaram a se aglomerar no local”.

Fonte: G1

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Segurança

O que se sabe sobre o caso da babá achada morta e que era explorada sexualmente pela patroa em Manaus

por Redação 30 de agosto de 2024

A babá Geovana Costa Martins, de 20 anos, foi encontrada morta em uma área de mata no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, com sinais de espancamento, no dia 20 de agosto. Camila Barroso, a patroa dela, foi presa sob suspeita de envolvimento no crime.

A polícia também está à procura de Eduardo Gomes da Silva, que também está sendo investigado pela suspeita de participação no assassinato da jovem. A motivação do caso ainda é incerta, conforme as investigações da Delegacia de Homicídios.

O g1 fez um levantamento do que se sabe e o que falta saber sobre o caso:

Desaparecimento da vítima
O trabalho que virou exploração
A patroa tem filho? A criança morava na mesma casa?
Quem são os suspeitos de envolvimento no crime
O que diz a polícia
Motivação do crime
Desaparecimento e morte da vítima
A polícia afirmou que Geovana foi dada como desaparecida em 19 de agosto. O corpo da jovem foi encontrado com sinais de tortura no dia seguinte, no bairro Tarumã, Zona Oeste da capital, e foi identificado pela família no Instituto Médico Legal (IML) no domingo, 25 de agosto.

Segundo a polícia, Geovana faleceu na noite de 19 de agosto. A investigação indica que a causa da morte foi traumatismo craniano, possivelmente resultado de agressões, conforme informou a delegada Marília Campello, que está à frente do caso.

Trabalho que virou exploração
De acordo com a delegada Marília Campello, Geovana começou a trabalhar como babá na casa de Camila, no bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus. A função seria para cuidar da filha da suspeita, que não teve idade divulgada pela polícia.

As investigações revelam que, na residência, a vítima foi aliciada e atraída para um estilo de vida de festas e bebidas. A patroa passou a forçá-la a permanecer na casa, impedindo que a jovem saísse, mesmo contra sua vontade.

“Essa vítima era praticamente forçada a fazer programas sexuais. Pelo que apuramos, a casa funcionava como uma casa de massagem. Além de Geovana, outras meninas também passavam por lá, mas a vítima morava no local e não podia se relacionar com pessoas de fora”, relatou a delegada.

Ao g1, a mãe da vítima, Márcia Costa, relatou que a filha trabalhava para a suspeita há cerca de um ano, mas nunca mencionou qualquer desentendimento com a patroa.

Os suspeitos de envolvimento no crime

Camila Barroso, a patroa de Geovana, foi presa em Manaus na noite de quarta (28). A polícia informou ter conseguido várias provas que a colocam como principal suspeita de envolvimento na morte da jovem.

Um dos indícios destacados pela investigação é uma foto em que Geovana aparece com marcas de tortura pelo corpo, aparentemente na casa onde ela morava com Camila. A polícia acredita que a babá pode ter sido morta no imóvel.

Eduardo Gomes da Silva está sendo procurado pela polícia como suposto cúmplice de Camila no assassinato.

A Polícia Civil divulgou na tarde desta quinta-feira (29) a imagem de Eduardo, procurado por suspeita de envolvimento na morte da babá.

De acordo com a delegada Marília Campello, o veículo usado para deixar o corpo da vítima no bairro Tarumã pertencia a Eduardo, que é filho da proprietária da casa onde Camila, atualmente presa, morava de aluguel, junto com a vítima.

“O carro pertencia a Eduardo e já havia sido vendido para outra pessoa. Porém, o suspeito emprestou o veículo e devolveu após o desaparecimento de Geovana. O carro foi entregue higienizado ao novo proprietário, que já prestou depoimento e o automóvel será submetido a perícia”, explicou a delegada Marília Campello.

A delegada Marília Campello revelou que Camila Barroso usava a casa onde morava com Geovana como um ponto de prostituição. No local, a jovem era forçada a realizar programas sexuais.

Durante as investigações, a polícia descobriu que havia outras meninas exploradas sexualmente no local, mas somente Geovana residia lá de forma permanente.

A delegada também informou que, além de manter a jovem em cárcere privado, Camila a impedia de manter contato com outras pessoas, como o ex-namorado, e a ameaçava caso tentasse sair da casa.

Camila aterrorizava a vítima alegando que havia sido esposa de Mano Kaio, um notório traficante de drogas no Amazonas e foragido no Rio de Janeiro.

Motivação incerta
A equipe de investigação descobriu que Camila tinha uma passagem para a Europa, onde sua família, incluindo mãe e tios, reside na França. Além disso, Geovana obteve seu passaporte em junho deste ano, provavelmente para ser levada para fora do país pela patroa.

Ainda segundo a polícia, acredita-se que Geovana seria utilizada como “mula” — pessoa que, conscientemente ou não, transporta drogas de um local para outro no corpo ou em objetos —, além de ser forçada a se prostituir fora do país.

A Polícia Civil do Amazonas pede que qualquer pessoa com informações sobre o paradeiro de Eduardo Gomes da Silva entre em contato pelos números (92) 98118-9535, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), ou 181, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM). A identidade dos informantes será mantida em sigilo, conforme garantido pela delegada.

Fonte: G1

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Segurança

‘Golpe do Pix 2.0’: Polícia Civil do RJ alerta para falsos aplicativos de banco que geram comprovantes de transferências inexistentes

por Redação 26 de agosto de 2024

A Polícia Civil do RJ alerta para uma nova modalidade do Golpe do Pix, agora com aplicativos falsos de banco.

Segundo a 62ª DP (Imbariê), comerciantes são o alvo preferencial dos estelionatários. Uma das vítimas teve um prejuízo de R$ 19 mil.

Como é o Golpe do Pix 2.0
Na hora de pagar, o golpista abre o app fake, que se parece muito com o original do banco;
O app simula todas as telas do processo de transferência via Pix, com campos para destinatário, data e valor;
No fim, o programa falso gera o comprovante dessa “transação”, e o estelionatário o apresenta para o lojista e sai depressa, antes que a vítima perceba que foi um golpe — porque nada vai cair na conta dele.

O delegado Gabriel Poiava, titular da 62ª DP, pede que quem foi lesado procure a polícia.

“Caso você tenha sido vítima dessa fraude, procure uma delegacia, leve todas as informações que você tenha em relação ao suposto fraudador, inclusive esse comprovante falso. A gente faz o registro de ocorrência por estelionato e, certamente, a Polícia Civil tentará identificar os meios para conseguir prender essa organização criminosa”, disse.

Receptador foi preso
Um caso recente foi descoberto pela 12ª DP (Copacabana), e um homem foi preso por receptação.

O dono de uma loja de materiais de construção relatou um prejuízo de quase R$ 19 mil após atender a 4 pedidos on-line de um cliente que se identificou como “engenheiro Fernando Estevão”.

Em todas as vendas, o suposto engenheiro enviou comprovantes de Pix bastante parecidos com os de um banco, e o lojista acabou liberando as mercadorias para motoristas de aplicativos indicados pelo estelionatário. Só depois o dono do estabelecimento viu que era um golpe.

O “engenheiro” tornou a procurar a loja e fez um novo pedido, este de R$ 19 mil, mais uma vez apresentou um comprovante fake e avisou que um motorista iria buscar os produtos. O dono confirmou que nada tinha entrado em sua conta e chamou a polícia.

Uma equipe da 12ª DP seguiu o carro de aplicativo até o destinatário, que informou ter sido contratado por Carlos Alberto de Souza para receber a encomenda.

Carlos foi encontrado saindo de uma escola e alegou ter comprado os materiais do “engenheiro” em uma plataforma on-line, apesar de estranhar os preços baixos. Ele também confessou que revendia parte dos produtos em feiras locais.

Fonte: G1

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Segurança

PCC lavou dinheiro com agentes de jogadores de grandes clubes, aponta investigação do MP

por Redação 20 de agosto de 2024

Promotores do Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo têm em mãos mensagens, contratos e o depoimento do empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, de 38 anos, que acusa dirigentes ligados a empresas que cuidam da carreira de jogadores de futebol de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os crimes investigados por enquanto não têm relação com atletas, cartolas e clubes, mas o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura se a origem dos recursos para a negociação de atletas foi o tráfico de drogas.

No acordo de delação, Gritzbach trata da atuação do empresário de futebol Danilo Lima de Oliveira, o Tripa, da Lion Soccer Sports. Ele ainda teria participação na UJ Football Talent.

Outro empresário apontado pelo delator como relacionado à lavagem de dinheiro do PCC é Rafael Maeda Pires, o Japa do PCC, que teria participado do cotidiano das decisões da FFP Agency Ltda, do empresário Felipe D’Emílio Paiva, até ser assassinado no ano passado.

Procuradas, a FFP disse não ter conhecimento da delação e a Lion não foi localizada.

As três empresas investigadas são nomes de porte nesse segmento que agenciam ou já agenciaram jogadores como Emerson Royal (atualmente no Milan), Eder Militão (Real Madrid), Bremer (Juventus), Du Queiroz (ex-Corinthians e agora no Grêmio) e Igor Formiga (também ex-Corinthians e agora defendendo o Novorizontino).

São citados ainda na investigação do MPE Gustavo Scarpa (Atlético-MG), Felipe Negrucci e Caio Matheus (ambos da base do São Paulo), Marcio Bambu (aposentado), Guilherme Biro (Corinthians) e Murillo (ex-zagueiro do time do Parque São Jorge e hoje no Nottingham Forest, da Inglaterra). Todos eles aparecem nas páginas oficiais das duas empresas investigadas como sendo clientes ou ex-clientes.

Gritzbach, o empresário delator, está no centro de uma das maiores investigações feitas até hoje sobre a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em São Paulo, envolvendo os negócios da facção paulista na região do Tatuapé, bairro da zona leste paulistana.

Acusado pelo PCC de ter dado um desfalque de R$ 100 milhões em bitcoins nas finanças da facção, Gritzbach resolveu apresentar sua versão sobre os negócios do crime organizado no futebol ao assinar um acordo de delação premiada com o Gaeco.

Um de seus anexos é o chamado PCC Futebol Clube. A delação foi proposta pela defesa em setembro de 2023. O Gaeco concordou com a delação e o acordo homologado pela Justiça em abril de 2024.

Segundo a delação de Gritzbach, o empresário Danilo Lima de Oliveira, o Tripa, da Lion Soccer Sports, colocaria parte de seus jogadores na agência UJ Football Talent, que “não teria lastro financeiro, se enquadra no Simples e possui vários jogadores”.

Segundo o delator, Tripa não é dono da empresa, mas tem participação. O sócio é o ex-atleta Ulisses Jorge.

A UJ Football se define como uma “assessoria esportiva com expertise internacional em promover sonhos de atletas desde 2010”. O principal cliente é Éder Militão, zagueiro revelado pelo São Paulo e que hoje defende o Real Madrid e a seleção brasileira.

O delator diz que Danilo agenciou outros jogadores, como Emerson Royal, Marcio Bambu, Guilherme Biro, Du Queiroz e Murillo Santiago. O empresário Ulisses Jorge não foi localizado pela reportagem.

Já a FFP Agency Ltda., a outra empresa apontada pelo delator como relacionada aos acusados de lavar de dinheiro do PCC, agencia, segundo os dados do acordo de delação com o Ministério Público, os jogadores Caio Matheus, Felipe Negrucci, Du Queiroz e Igor Formiga.

Como prova da ligação da empresa com integrantes do PCC, o delator entregou cópias de conversas de WhatsApp do empresário Felipe D’Emílio Paiva com o Rafael Maeda Pires, o Japa do PCC, um dos homens fortes da facção, encontrado morto na garagem de um prédio no Tatuapé em 2023.

Gritzbach afirmou que conheceu Maeda como piloto de fórmula HB20 e vendedor de carros

Ao Estadão, A FFP disse que “não tem conhecimento da alegada delação” e que “todas as transações realizadas são pautadas na transparência e na legalidade”.

Nas conversas, Maeda e Felipe tratam da contratação de jogadores e da assinatura de contratos, além de pagamentos em real e euro. Há fotos de jogadores e de montes de dinheiro.

Existem ainda menções sobre negociações de atletas com o ex-presidente do Corinthians Duílio Monteiro Alves e com o ex-técnico do sub-20 do time, o ex-jogador Danilo, a quem pediriam referência sobre atletas.

Ao Estadão, por meio de sua assessoria, Duílio afirmou que “nunca manteve relação pessoal nem comercial com Japa”. Também disse não ter trocado mensagens com Japa.

O dirigente alegou que, por ter sido presidente do Corinthians, um dos maiores clubes do País, era normal que seu nome fosse citado muitas vezes em negociações de atletas.

O Corinthians disse que recebeu “com enorme surpresa a notícia da possibilidade de atletas supostamente agenciados por integrantes do crime organizado terem formalizado contratos com o clube” e ressaltou que tais contratos teriam sido celebrados anteriormente à gestão atual.

O clube também afirmou que está “à disposição para fornecer quaisquer documentos que as autoridades reputem importantes e, também, prestar qualquer esclarecimento necessário à completa apuração dos fatos”.

O Estadão procurou São Paulo, Grêmio, Novorizontino e Atlético-MG. Os tricolores paulista e gaúcho afirmaram que não vão se posicionar, enquanto os outros dois clubes não deram retorno.

Também entrou em contato com Real Madrid, Milan, Juventus e Nottingham Forest, mas devido ao fuso horário na Europa o expediente já tinha sido encerrado.

Caso os clubes se manifestem sobre a delação envolvendo empresas que agenciam ou agenciaram seus atletas, as informações serão imediatamente acrescentadas à reportagem.

Por fim, Gritzbach entregou aos investigadores comprovantes de pagamentos feitos pela FFP para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para mostrar que Maeda tinha conhecimento do cotidiano da empresa. Para ter licença da Fifa e poder operar no Brasil, um empresário de jogador ou dono de empresa que agencia atletas tem de pagar R$ 8 mil – uma única vez – e R$ 250 a cada atleta registrado.

Sequestro e morte
Maeda e Tripa são suspeitos de agir a mando de um dos maiores traficantes do PCC: Anselmo Bechelli Santa Fausta, o Cara Preta ou Magrelo, lavando recursos da venda de entorpecentes.

Gritzbach afirma que Tripa é ligado à facção e participou ao lado de Maeda do sequestro do qual ele foi vítima, quando o PCC ameaçou matá-lo em razão justamente do assassinato de Anselmo, ocorrido em 27 de dezembro de 2021, no Tatuapé. Gritzbach é acusado de ser mandante do crime – ele alega inocência.

Gritzbach teria sido levado para um imóvel do tribunal do crime. Tripa, segundo ele, obrigou o empresário a telefonar para sua família para se despedir.

E pôs luvas cirúrgicas dizendo que iria esquartejá-lo, exibindo à vítima o filme em que outro acusado do crime, Noé Alves Schaum, foi esquartejado por um integrante do PCC conhecido como Klaus Barbie, uma referência ao oficial nazista que atuou na França ocupada durante a 2ª Guerra, onde se tornou o Carniceiro de Lyon.

A cabeça de Schaum foi deixada na mesma praça onde Cara Preta e seu motorista, Antonio Corona Neto, o Sem Sangue, foram executados. Já o corpo foi deixado em Suzano, na Grande São Paulo.

Solto pelo tribunal do crime da facção com o compromisso de devolver o dinheiro das bitcoins, Gritzbach acabou preso pela polícia.

Atualmente, ele está em prisão domiciliar e escapou de um atentado em que um tiro de fuzil foi disparado contra a janela de seu apartamento na véspera do Natal de 2023, quando já negociava a delação premiada. Tanto Tripa quanto Maeda negaram as acusações quando foram ouvidos pela polícia em 2022.

Agora, os promotores estão ouvindo o delator para recolher mais provas sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro e compreender como os recursos do tráfico internacional de drogas eram esquentados no negócio de compra e venda de atletas.

Fonte: folhape

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Segurança

Disputa em Vila Isabel tem traição entre facções e ex-aliado morto no ataque em praça lotada

por Redação 19 de agosto de 2024

A Polícia Civil investiga se as disputas entre traficantes do Terceiro Comando Puro e do Comando Vermelho estão por trás das quatro mortes na praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, na noite de domingo (18).

Os agentes apuram se o principal alvo dos bandidos seria o traficante Pedro Henrique Barbosa, conhecido como Marreco ou V7, um dos chefes do tráfico do Morro dos Macacos, que pertence ao TCP.

Uma investigação da 20ª DP(Vila Isabel) revelou que, no início deste ano, traficantes do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, foram para o morro São João, no Engenho de Dentro, dominado pelo Comando Vermelho.

O motivo seria a insatisfação com o valor pago pelo traficante Scooby, chefe do tráfico no Morro dos Macacos.

Durante a investigação, uma testemunha revelou à polícia que sete traficantes saíram do Morro dos Macacos e foram para o morro dominado pela facção rival. A investigação chegou aos nomes ou vulgos de cinco deles :

  1. Brando Endresson de Oliveira Lins, o “Dadal”
  2. Welerson Gonçalves de Jesus, o “Cara Fina”
  3. Pedro Paulo Lucas Adriano do Nascimento, o “Titauro”
  4. Tallison Ferreira de Souza, o “Cuca”
  5. Traficante não identificado, vulgo “Jilozinho”


Os traficantes, agora do Morro São João, teriam sido responsáveis pelos ataques sistemáticos e tentativas de invasão ao Morro dos Macacos.

Quatro mortos

Quatro pessoas morreram e uma quinta teve morte cerebral confirmada após um ataque a tiros em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, no fim da noite de domingo (18). O caso aconteceu na Praça Barão de Drumond, conhecida como Praça Sete, nas proximidades do Morro dos Macacos — controlado pelo Terceiro Comando Puro (TCP). O vídeo abaixo mostra correria e gritos no momento do tiroteio.

Segundo informações apuradas pela TV Globo, ocupantes de carros e motos passaram pelo local, onde estava sendo realizado um evento, e atiraram contra um grupo de pessoas.

De acordo com as primeiras informações, os criminosos que atiraram são do Morro do São João, no Engenho Novo, também na Zona Norte, que é controlado pelo Comando Vermelho (CV).

Vítimas
Duas pessoas morreram no local. Segundo a Polícia Civil elas são: Gabriel Pereira Cândido, de 24 anos, e Pedro Henrique Pereira dos Santos, de 18.

Pedro Henrique Barbosa da Conceição, de 18 anos, foi levado para o Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), também em Vila Isabel, mas, não resistiu aos ferimentos. Segundo a polícia civil, ele era conhecido como Marreco ou V7, e seria integrante do tráfico de drogas na comunidade.

Thailon Martins Lucas, de 17 anos, foi levado para o Hospital Federal do Andaraí, mas, também não resistiu aos ferimentos.

Já Wallace de Oliveira Cláudio, de 35, teve morte cerebral, de acordo com a direção do Hospital do Andaraí.

Outras duas pessoas continuam internadas no Hospital do Andaraí. Daniel Carvalho de Souza, de 33, e Juan Victor Pereira.

Fonte: G1

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Segurança

Advogado de Adélio Bispo e do caso Bruno é dono de avião onde a PF apreendeu meio milhão

por Redação 19 de agosto de 2024

O advogado criminalista Fernando Costa Oliveira Magalhães, que já defendeu Adélio Bispo, autor da facada contra Bolsonaro, e o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o “Bola”, condenado pela morte de Eliza Samudio, é dono do avião onde a PF (Polícia Federal) apreendeu mais de meio milhão de reais, em Belo Horizonte. A informação foi confirmada à reportagem por fontes ligadas à investigação, nesta sexta-feira (16).

Procurado pela RECORD Minas, Magalhães negou que tenha relação com o montante e disse que não estava na aeronave. O advogado afirmou que o dinheiro pertence a um homem que o piloto deu carona no bimotor. Ainda segundo o criminalista, o responsável pelos valores afirmou que as cédulas seriam provenientes da negociação de uma casa. “A aeronave está legalizada e regular, tendo sido liberada juntamente com o piloto no mesmo ato”, completou o dono do avião.

Ao todo, foram apreendidos R$ 583 mil. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (16), a PF informou que o valor estava com dois passageiros de uma das aeronaves inspecionadas durante operação no Aeródromo Carlos Drummond de Andrade, conhecido como Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. O avião havia chegado de São Paulo. A dupla foi levada para prestar esclarecimentos e o dinheiro apreendido, por estar “sem comprovação da origem”. De acordo com o advogado Fernando Costa Oliveira Magalhães, o dinheiro estava na bagagem pessoal do passageiro convidado pelo piloto.

A operação que chegou ao dinheiro tinha como foco fazer vistoria nos hangares do aeroporto. Durante a ação, empresas que atuam no local foram notificadas por irregularidades.

O avião envolvido na ocorrência é um bimotor EMB-810C, da Embraer, fabricado em 1980. A aeronave de prefixo PT-RDK tem capacidade para transportar sete pessoas. Segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a aeronave não pode ser usada para táxi aéreo.

Sobre a operação nos hangares, a administração do Aeroporto da Pampulha afirmou que opera em plena conformidade com as normas de segurança da Anac e que apoia a PF nas inspeções de rotina. A gerência ainda informou que não teve acesso ao relatório das irregularidades encontradas pela PF.

Histórico
Em junho deste ano, o advogado criminalista Fernando Costa Oliveira Magalhães foi alvo de outra operação da Polícia Federal. Na época, o inquérito apontou que o advogado teria ligação com empresas de fachada criadas para lavar dinheiro de organizações criminosas. Os crimes foram negados por ele.

Fonte: r7

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