A Polícia brasileira identificou dados de integrantes de um esquema ilegal de IPTV durante a 8ª fase da Operação 404, que derrubou 535 sites e um aplicativo de streaming pirata na última quinta-feira (27). A investigação, conduzida pelo Ministério da Justiça desde 2019, emprega técnicas como monitoramento de grupos no Telegram, análise na deep web e rastreamento de informações vazadas pelos próprios operadores do esquema.
Responsável pela força-tarefa, Rodney da Silva, diretor de Operações e Inteligência (Diopi), explicou ao g1 que a equipe atua no “submundo do crime digital” para localizar serviços irregulares. Em alguns casos, operadores publicavam telefones e contas bancárias para pagamento, facilitando a identificação dos responsáveis. Endereços de IP também foram utilizados para localizar fisicamente as centrais de transmissão clandestina.
A operação, batizada em alusão ao erro “404 – página não encontrada”, é independente da ação argentina que derrubou aplicativos como BTV e Red Play. A fase atual teve participação das Polícias Civis de 16 estados, cumpriu 44 mandados de busca e apreensão e realizou sete prisões, sendo quatro preventivas e três em flagrante.
No estado de São Paulo, dois homens foram presos por operarem serviços ilegais de streaming, canais por assinatura e jogos, com apreensão de computadores e celulares. A ação contou ainda com apoio da Anatel, Ancine e autoridades internacionais de cinco países.
Segundo o Ministério da Justiça, o esquema pode configurar crime organizado, já que o lucro é elevado e tem atraído grupos especializados. A possibilidade de envolvimento de facções criminosas segue sob investigação.
Com a derrubada dos serviços piratas, consumidores recorreram a plataformas de reclamação, mas o Procon-SP reforçou que quem compra serviços ilegais abre mão de direitos básicos de proteção. Já a Anatel orienta usuários a utilizarem apenas TV boxes certificadas para garantir segurança e evitar práticas criminosas.
Fonte: G1