Atender o celular e ouvir apenas silêncio antes da ligação cair se tornou uma situação comum para milhões de brasileiros, inclusive em cidades do estado de São Paulo. Apesar de parecer apenas um incômodo cotidiano, esse tipo de chamada faz parte de um fenômeno conhecido como robocalls, ligações automáticas feitas em larga escala por sistemas computadorizados.
Dados apontam que o Brasil registra mais de 10 bilhões de ligações automatizadas por mês, o equivalente a cerca de 62% de todas as chamadas realizadas no país. Muitas duram apenas alguns segundos e são encerradas assim que a pessoa atende, sem qualquer mensagem ou identificação.
Segundo especialistas, essas chamadas têm dois objetivos principais. Um deles é legítimo, usado por empresas de telemarketing para otimizar o trabalho de operadores humanos. O outro é criminoso: validar números ativos para uso em golpes futuros. Os sistemas disparam centenas de ligações por minuto e, ao identificar que um número atende, registram a informação e seguem para o próximo contato.
No caso do telemarketing regular, as empresas devem seguir regras da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), como identificar a empresa responsável e utilizar mensagens automáticas. Já as ligações fraudulentas costumam usar técnicas de falsificação de número, conhecidas como spoofing, o que dificulta o rastreamento e o bloqueio.
Especialistas alertam que atender esse tipo de ligação não causa danos imediatos ao aparelho, como instalação de vírus ou invasão do celular. O principal risco está em confirmar que o número está ativo, tornando-o mais valioso em bancos de dados ilegais usados por golpistas para ataques mais direcionados, como falsas centrais de atendimento ou tentativas de enganar a vítima por telefone.
Para reduzir o problema, celulares Android e iPhone já oferecem ferramentas nativas para silenciar chamadas desconhecidas, filtrar números suspeitos e bloquear ligações automáticas. A recomendação é não retornar chamadas estranhas e evitar compartilhar dados pessoais em sites ou cadastros pouco confiáveis.
A Anatel e as operadoras também adotaram medidas para conter o abuso, como o monitoramento de grandes volumes de chamadas e a suspensão de números com comportamento suspeito. Mesmo assim, o problema persiste porque criminosos não seguem as regras e usam tecnologia para driblar os sistemas de controle.
Enquanto isso, o alto volume de chamadas automáticas segue impactando a rotina dos consumidores, exigindo atenção redobrada e uso das ferramentas disponíveis para minimizar o incômodo e os riscos.
Fonte: techtudo