A eliminação do São Paulo na semifinal contra o Palmeiras escancarou a dependência do time da sua trinca titular de meio-campo. A surpresa na escalação — Luan na vaga de Danielzinho — desfez o trio formado com Marcos Antônio e Bobadilla e alterou completamente a dinâmica da equipe.
Luan não iniciava uma partida como titular desde setembro e, nos últimos dois anos, acumulou apenas 194 minutos em campo. Embora viesse sendo utilizado nos jogos recentes, não havia atuado mais do que 15 minutos regulamentares por partida. A escolha gerou apreensão imediata.
Em entrevista coletiva, o técnico Hernán Crespo justificou a decisão. Segundo ele, Danielzinho não estava 100% fisicamente, sentindo dores desde o jogo contra o Bragantino e fora da partida contra o Coritiba. A opção por Luan teria sido estratégica, considerando as características do Palmeiras, que explora bolas longas e exige força física no meio. “Pessoalmente, acho que deu certo. Eles tiveram dificuldades. Mas depois o jogo muda. Tivemos que arriscar com Danielzinho porque o jogo precisava de outra coisa”, afirmou.
Na prática, porém, o plano não funcionou. Com Luan posicionado entre os zagueiros, o São Paulo teve enorme dificuldade na saída de bola. Pressionado pela marcação alta do rival, recorreu a lançamentos longos de Rafael em busca dos atacantes e disputas pela segunda bola. O Tricolor perdeu o controle do meio-campo e praticamente não ameaçou na primeira etapa.
Mesmo com os problemas evidentes, Crespo voltou do intervalo sem alterações. Só aos dez minutos do segundo tempo Danielzinho entrou na vaga de Luan, melhorando a construção ofensiva. No momento em que o time começava a ganhar fluidez, o Palmeiras marcou o segundo gol.
Além da ausência de Danielzinho, Bobadilla também teve atuação abaixo do esperado. O paraguaio não conseguiu se impor na marcação e não recompôs no lance do primeiro gol, originado após Luciano perder a bola na saída. Marcos Antônio manteve desempenho regular, mas isolado não foi suficiente para organizar o setor.
Com o meio-campo desarticulado, o trio ofensivo pouco produziu. A equipe encontrou dificuldades para criar jogadas e quase não levou perigo ao goleiro Carlos Miguel.
Na saída da Arena Crefisa Barueri, Lucas avaliou que o time ficou excessivamente recuado no primeiro tempo e que houve melhora na etapa final. “No primeiro tempo eles praticamente dominaram. A gente ficou muito recuado. No segundo tempo conseguimos nos impor mais, controlar mais. Foi bem diferente. Acabou sendo um jogo parelho no segundo tempo, conseguimos pressionar bastante, mas não conseguimos fazer o gol. Tomamos dois gols no detalhe. Vacilo nosso”, analisou.
Após o apito final, o São Paulo também reclamou de um pênalti não marcado em toque na mão de Gustavo Gómez. O executivo Rui Costa foi à sala de imprensa para criticar a atuação do VAR, ampliando o debate sobre a arbitragem.
A derrota, no entanto, evidenciou mais do que um lance polêmico: mostrou o quanto o funcionamento coletivo do São Paulo depende da engrenagem formada por seus três meias titulares.
Fonte: GE