O dia 10 de março de 2026 entrou para a história do esporte brasileiro. O atleta Cristian Ribera conquistou a primeira medalha do Brasil em Jogos Paralímpicos de Inverno ao garantir a prata na prova de sprint sentado do esqui cross-country em Milão-Cortina, na Itália.
O rondoniense de 23 anos terminou a final disputada em Tesero na segunda colocação, com o tempo de 2min29s6. O ouro ficou com o chinês Liu Zixu, que cruzou a linha de chegada em 2min28s9, enquanto o cazaque Yerbol Khamitov completou o pódio com o bronze, em 2min29s9.
Cristian liderou boa parte da decisão e chegou à última reta na frente. No entanto, nos metros finais, Liu Zixu conseguiu aumentar o ritmo e ultrapassou o brasileiro, garantindo a vitória.
Após a prova, Ribera comemorou o resultado histórico para o país.
“Só quero agradecer ao meu time, que sempre trabalhou tão duro. Minha família que está torcendo, fiz isso por eles. Queria ganhar a medalha de ouro, mas foi por muito pouco, mérito do chinês. Estou muito feliz, é um sonho realizado. Agora a próxima meta é o ouro”, afirmou.
Antes da final, o brasileiro já havia se destacado nas classificatórias. Ele registrou o melhor tempo da fase inicial, com 2min08s22, e também avançou como um dos melhores na semifinal, garantindo vaga na disputa por medalha.
Outros dois brasileiros participaram das classificatórias masculinas do sprint sentado. Guilherme Rocha terminou na 18ª colocação e Robelson Lula ficou em 20º lugar, sem avançar para as semifinais.
O dia também foi marcante para o esporte feminino brasileiro nos Jogos de Inverno. A atleta Aline Rocha, de 35 anos, alcançou o melhor resultado feminino do Brasil em Paralimpíadas de Inverno ao terminar na quinta colocação na final do sprint sentado.
Aline chegou à decisão após avançar com o terceiro melhor tempo nas classificatórias e garantir vaga na final ao terminar a semifinal em segundo lugar em sua bateria. Na disputa final, ela chegou a brigar pelo bronze, mas acabou ultrapassada na reta final pela chinesa Shiyu Wang e pela alemã Andrea Eskau, encerrando a prova em 3min21s.
Mesmo sem medalha, o resultado representa a melhor colocação de uma brasileira na história dos Jogos Paralímpicos de Inverno. A marca anterior também pertencia a Aline, que havia alcançado o sétimo lugar no biatlo em Pequim 2022.
A atleta destacou a emoção de participar da final e celebrou o resultado de Ribera.
“É uma emoção imensa estar aqui e chegar pela primeira vez na final do sprint. A alegria maior é o resultado do Cristian. Ele me representa, é meu herói e me ensina muito. Espero que esse resultado incentive mais mulheres a conhecer o esporte”, disse.
Cristian Ribera chegou a Milão-Cortina como a principal esperança de medalha do Brasil. Atual campeão mundial do sprint na categoria sitting, ele já acumulava resultados expressivos no circuito internacional.
O atleta nasceu em Rondônia com artrogripose, uma doença congênita que afeta as articulações. Ainda bebê, mudou-se para Jundiaí, em São Paulo, para realizar tratamento médico e passou por 21 cirurgias ao longo da vida.
Aos quatro anos começou a praticar esportes por recomendação médica e experimentou modalidades como natação, atletismo, tênis, bocha, capoeira e dança. Aos 13 anos conheceu o esqui cross-country por meio de um projeto da Confederação Brasileira de Desportos na Neve.
Ribera já havia participado de duas edições dos Jogos Paralímpicos de Inverno. Em PyeongChang 2018, competiu aos 15 anos e conquistou o sexto lugar nos 15km, até então a melhor colocação brasileira na história da competição.
Em Pequim 2022, acabou prejudicado por um diagnóstico de Covid-19 dias antes das provas e ficou longe do pódio.
Nos Jogos de Milão-Cortina, o brasileiro ainda terá novas oportunidades de medalha. Ele volta a competir na prova dos 10km sentado nesta quarta-feira (11), além do revezamento misto 4×2,5 km no sábado (14) e dos 20km sentado no domingo (15).
Fonte: GE