Com a recente circulação do vírus Nipah na Índia, surgiram preocupações sobre a possibilidade de uma epidemia no Brasil às vésperas do Carnaval. Segundo especialistas, o risco no país é considerado muito baixo.
O Nipah causa infecções respiratórias graves e encefalite (inflamação cerebral) e pode ser transmitido por humanos, por morcegos frugívoros e por porcos. O principal hospedeiro do vírus, o morcego da espécie Pteropus, não está presente no Brasil, o que reduz a possibilidade de disseminação.
“O vírus Nipah ainda não consegue se transmitir de forma eficiente entre pessoas, e por isso não se tornou uma pandemia”, afirma o professor Paulo Eduardo Brandão, da USP. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que o surto na Índia está praticamente encerrado.
O Ministério da Saúde também desmentiu casos confirmados no país e garantiu que mantém protocolos de vigilância a agentes altamente patogênicos, considerando o risco de pandemia baixo.
A doença apresenta alta taxa de letalidade, podendo chegar a 70%, e não possui vacina nem tratamento específico. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça e dor muscular, evoluindo em alguns casos para confusão mental, convulsões e coma. A transmissão ocorre principalmente por contato com animais infectados, alimentos contaminados ou pessoas doentes, especialmente profissionais da saúde.
Historicamente, o Nipah foi identificado em 1999 na Malásia, com surtos recorrentes em Bangladesh desde 2001, e na Índia, onde o surto mais grave ocorreu em 2018, com 17 mortes em 18 casos confirmados. A proximidade crescente entre humanos e animais devido à perda de habitat facilita a transmissão do vírus.
Fonte: G1