As empresas 99 e Uber decidiram não retomar o serviço de motos por aplicativo em São Paulo nesta quinta-feira (11), após a sanção da regulamentação municipal oficializada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) no Diário Oficial. As plataformas afirmaram que recorrerão à Justiça para contestar a nova lei, considerada por elas como restritiva e inconstitucional.
A decisão ocorre poucos dias depois de ambas anunciarem que voltariam a operar na capital paulista, mesmo sem regulamentação, em cumprimento ao prazo definido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). No entanto, após reunião realizada na sede da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) nesta quarta-feira (10), as empresas optaram por recuar para evitar descumprimento da legislação municipal e possíveis multas que podem chegar a R$ 1,5 milhão.
A Amobitec classificou a Lei 18.349 como “uma proibição disfarçada”, afirmando que as exigências impostas ultrapassam o limite legal e inviabilizam a operação do motoapp na cidade. Segundo a entidade, a regulamentação contraria decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo e do Supremo Tribunal Federal, que já estabeleceram que prefeituras não podem impedir o funcionamento de aplicativos de transporte sobre duas rodas.
Entre os pontos mais criticados pelas plataformas estão a obrigatoriedade de placa vermelha (categoria aluguel), o curso especializado de 30 horas custeado pelas empresas, restrições de circulação que incluem o minianel viário e dias de chuva forte, além da exigência de exame toxicológico trimestral e seguro funerário. As empresas também apontam como impeditiva a possibilidade de a prefeitura estender indefinidamente o prazo de análise de credenciamento.
O prefeito Ricardo Nunes ironizou a decisão das plataformas, afirmando que as empresas “queriam ganhar dinheiro independentemente dos riscos à vida das pessoas” e reforçou que a regulamentação busca aumentar a segurança no trânsito.
A lei prevê multas diárias entre R$ 4 mil e R$ 1,5 milhão para empresas que descumprirem as normas. Entre as obrigações aos motociclistas estão idade mínima de 21 anos, proibição de circular em áreas de trânsito rápido como Marginais Pinheiros e Tietê, cadastramento prévio na prefeitura e uso de motocicletas com até oito anos de fabricação e placa vermelha.
A Amobitec anunciou que ingressará com ação judicial contra a legislação e declarou que o serviço não será retomado nesta quinta-feira. A entidade informou ainda estar aberta ao diálogo com a prefeitura para discutir ajustes que tornem a regulamentação compatível com a legislação federal e com práticas adotadas em outras capitais brasileiras.
Fonte: G1