Brasil Censo mostra que 34 mil crianças e adolescentes de até 14 anos vivem em uniões conjugais no Brasil Redação5 de novembro de 2025019 visualizações O Censo 2022, divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que 34.268 crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos vivem em algum tipo de união conjugal no Brasil. Do total, 77% são meninas, o que reforça a desigualdade de gênero e a persistência de uniões precoces no país. De acordo com o IBGE, as informações foram declaradas pelos próprios moradores, sem exigência de documentos ou certidões, e podem refletir percepções pessoais. Por isso, os dados não representam uma comprovação legal dessas uniões. “O IBGE quer o retrato do país e não somente o que é legal ou não, justamente para identificar onde há questões em que as políticas públicas podem atuar”, afirmou Luciene Aparecida Longo, técnica do instituto. Entre as crianças e adolescentes nessa faixa etária que vivem em união: 7% estão casadas no civil e religioso; 4,9% apenas no civil; 1,5% só no religioso; e 87% declararam viver em união consensual. A legislação brasileira proíbe o casamento civil de menores de 16 anos, salvo exceções autorizadas judicialmente. Ainda assim, o IBGE inclui esses dados para compreender a realidade social do país e subsidiar políticas públicas de proteção à infância e adolescência. Perfil e distribuição regional A maior parte das crianças e adolescentes em uniões é parda (20.414), seguida por brancas (10.009), pretas (3.246), indígenas (483) e amarelas (51). Em números absolutos, São Paulo lidera com 4.722 casos. Proporcionalmente, o Amazonas tem o maior índice: 0,11% das uniões registradas envolvem pessoas de até 14 anos. Outros estados com destaque são Bahia (2.716), Pará (2.579), Maranhão (2.201) e Ceará (2.039). Outras tendências familiares O levantamento também apontou transformações nas estruturas familiares brasileiras: O número de pessoas que moram sozinhas triplicou, passando de 4,1 milhões (2000) para 13,6 milhões (2022); 51,3% da população com 10 anos ou mais vive em algum tipo de união — um aumento em relação a 2010 (50,1%); Os estados com maior proporção de pessoas em união são Santa Catarina (58,4%), Rondônia (55,4%) e Paraná (55,3%); Já os menores índices foram registrados no Amapá (47,1%), Distrito Federal (47,7%) e Amazonas (48,1%). Os dados reforçam o desafio de combater uniões infantis e garantir a proteção integral de crianças e adolescentes, tema que segue em debate entre especialistas e gestores públicos. Fonte: G1