As investigações que motivaram a megaoperação desta terça-feira (28) — considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro — revelam que chefes da facção Comando Vermelho (CV) utilizavam grupos em aplicativos de mensagem para coordenar atividades criminosas nos complexos do Alemão e da Penha.
Segundo a Polícia Civil, os líderes definiam nesses grupos desde escalas de seguranças armados até punições violentas a moradores e rivais. Entre os principais nomes identificados estão Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, Juan Breno Ramos, o BMW, e Carlos Costa Neves, o Gadernal — todos denunciados pelo Ministério Público pelos assassinatos de três médicos na Barra da Tijuca, em 2023.
As mensagens interceptadas indicam que BMW era o responsável por aplicar punições determinadas pela facção. As “sanções” incluíam agressões, torturas e homicídios. Em uma das conversas, criminosos descrevem práticas de castigo a mulheres, como colocá-las em galões de gelo para “dar exemplo” após brigas em bailes funk.
Em outro caso, um morador identificado como Aldenir Martins do Monte Junior foi arrastado por sete minutos pelas ruas da comunidade, algemado e amordaçado, enquanto era forçado a delatar membros de um grupo rival. Durante a sessão de tortura, BMW chegou a fazer uma chamada de vídeo com Gadernal, debochando da vítima. Aldenir está desaparecido, e a polícia acredita que tenha sido executado.
Os mesmos grupos de mensagens também eram usados para definir escalas de segurança de Doca, que, em determinado momento, foi informado que teria seis traficantes armados em sua proteção.
Apontado como um dos principais chefes do Comando Vermelho, Doca acumula 269 anotações criminais e 26 mandados de prisão. Ele é considerado o principal articulador da expansão da facção em bairros da capital fluminense. O criminoso conseguiu fugir do cerco policial na operação desta terça-feira e segue foragido.
Fonte: G1