China aprova primeiro implante cerebral comercial e amplia disputa tecnológica com os EUA

A China aprovou o primeiro implante cerebral de uso comercial do mundo, saindo na frente dos Estados Unidos na corrida global pelas interfaces cérebro-computador. A tecnologia conecta o cérebro humano a dispositivos externos e faz parte da estratégia chinesa para liderar o setor até 2030.

Segundo a revista científica Nature, o ecossistema chinês já opera em estágio avançado, com ensaios clínicos concluídos, artigos científicos em preparação e novos produtos previstos para os próximos meses.

Enquanto o debate internacional costuma se concentrar na Neuralink, empresa de Elon Musk, companhias chinesas já demonstram aplicações práticas da tecnologia em pacientes reais.

As interfaces cérebro-computador existem há anos, principalmente para pacientes com paralisia ou doenças neurodegenerativas. O avanço recente veio com a integração da inteligência artificial e de modelos de linguagem, que elevaram significativamente a capacidade de interpretar sinais cerebrais.

De acordo com Li Haifeng, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Harbin, os sistemas atuais conseguem não apenas captar impulsos elétricos do cérebro, mas interpretá-los com precisão suficiente para gerar fala, mover cursores e controlar equipamentos.

A startup chinesa NeuroXess, de Xangai, desenvolveu um modelo capaz de decodificar o mandarim em tempo real a uma velocidade de 300 caracteres por minuto — acima da média de fala de um nativo chinês, estimada em 220 caracteres por minuto.

O sistema foi testado em uma paciente de 35 anos com epilepsia.

Em outro ensaio clínico, um homem de 28 anos com lesão medular conseguiu controlar eletrodomésticos apenas com o pensamento, utilizando um cursor em um computador conectado ao implante.

O dispositivo funciona com sensores posicionados sobre o córtex cerebral e conectados a um módulo instalado no tórax do paciente, responsável por transmitir os dados.

Especialistas apontam que a China possui uma vantagem estratégica importante: acesso a um volume muito maior de dados de pacientes, favorecido pelo tamanho da população e por regras mais flexíveis sobre coleta de informações pessoais.

Segundo a pesquisadora Meicen Sun, da Universidade de Illinois, mais dados permitem treinar sistemas melhores, aumentando a eficiência da tecnologia e acelerando o desenvolvimento do setor.

Ao mesmo tempo, crescem preocupações sobre privacidade e segurança de dados cerebrais, especialmente com o uso combinado de inteligência artificial.

O governo chinês publicou diretrizes éticas em 2024 exigindo consentimento formal dos participantes de testes clínicos e aprovação por comitês de ética, mas especialistas afirmam que o debate sobre uso comercial de dados neurais ainda está longe de um consenso global.

A corrida tecnológica também envolve cooperação internacional. A empresa chinesa Maschine Robot mantém parcerias com laboratórios do MIT e da Universidade Stanford para desenvolver modelos de inteligência artificial aplicados às interfaces neurais.

O próximo produto da companhia será uma cadeira de rodas controlada por sinais cerebrais, destinada a pacientes com esclerose lateral amiotrófica. O lançamento está previsto para junho.

Fonte: epocanegocios

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