Chuva histórica deixa 22 mortos, 45 desaparecidos e cenário de devastação na Zona da Mata

por Redação

As fortes chuvas que atingem Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, já deixaram 22 mortos, centenas de desabrigados e pelo menos 45 desaparecidos, em um dos episódios mais graves já registrados na região.

Em Juiz de Fora, 16 pessoas morreram e 440 estão desabrigadas. Na madrugada desta terça-feira (24), a prefeitura decretou estado de calamidade pública, suspendeu as aulas da rede municipal e iniciou uma força-tarefa para tentar conter os danos. O Corpo de Bombeiros realiza buscas por ao menos 45 desaparecidos.

Segundo a administração municipal, este é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com 584 milímetros acumulados — o dobro do esperado para o mês. O temporal começou no fim da tarde de segunda-feira, e há previsão de mais chuva. A cidade, marcada por relevo acidentado, com morros, vales e encostas, próxima à divisa com o Rio de Janeiro, sofre com os impactos da água.

Um dos bairros mais atingidos é o Parque Burnier. De acordo com os bombeiros, há 20 desaparecidos no local, entre eles mais de cinco crianças. Nove pessoas foram resgatadas com vida, quatro morreram e 12 casas desabaram.

No Bairro Cerâmica, duas casas vieram abaixo e cinco pessoas da mesma família estão soterradas. Bombeiros, equipes da Empav, Defesa Civil e Polícia Militar atuam nas buscas.

O Rio Paraibuna e córregos transbordaram, provocando o fechamento de pontes e do mergulhão que liga bairros ao Centro. Árvores caídas também dificultam o tráfego.

Em vídeo publicado durante a madrugada, a prefeita Margarida Salomão (PT) informou que há pelo menos 20 ocorrências de soterramento. Os sobreviventes foram encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), referência no município. A prefeitura decretou luto oficial de três dias. “É o dia mais triste do meu governo”, afirmou a prefeita.

De acordo com o tenente Henrique Barcellos, dos bombeiros, mais de 40 chamadas emergenciais foram registradas apenas na madrugada, envolvendo vias bloqueadas, moradores ilhados e imóveis atingidos. Mais de 20 militares, além de equipes do Batalhão de Emergências Ambientais e cães de busca, reforçam a operação.

Em Ubá, seis pessoas morreram e duas estão desaparecidas. O Ribeirão Ubá transbordou na noite de segunda-feira (23), e a Avenida Beira Rio ficou completamente alagada. Foram acumulados 124 milímetros de chuva em seis horas. Equipes do Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e Defesa Civil contabilizam os danos. Até o momento, não há informações sobre a identidade das vítimas.

Em Matias Barbosa, o prefeito também decretou estado de calamidade pública após enchentes atingirem diversas regiões do município. A medida busca viabilizar o acesso a recursos federais, agilizar ações emergenciais e garantir assistência às famílias afetadas.

A tragédia mobilizou autoridades estaduais e federais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou a situação nas redes sociais e manifestou solidariedade às famílias e às forças de segurança. O governador Romeu Zema (Novo) decretou luto oficial de três dias em Minas Gerais.

O Ministério da Defesa informou que foi acionado para apoiar as ações de resposta em Juiz de Fora, com envio de viaturas, tropas para limpeza e desobstrução de vias, remoção de escombros, apoio logístico, organização de abrigos temporários e emprego de helicóptero em ações humanitárias.

Enquanto as buscas continuam, a região enfrenta um cenário de destruição, incerteza e alerta para novas chuvas.

Fonte: G1

Leia também