COP30 Cientistas denunciam ausência de menção a combustíveis fósseis em novo rascunho da carta final da COP30 e falam em “traição” Redação21 de novembro de 2025022 visualizações Cientistas climáticos reunidos na COP30, no pavilhão Ciência Planetária, manifestaram forte insatisfação com a nova versão do texto que poderá se tornar a carta final da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, realizada em Belém. O comunicado foi divulgado nesta sexta-feira e critica duramente o fato de o rascunho atual não mencionar os combustíveis fósseis. No texto anterior, já havia divergências relevantes sobre o futuro dos combustíveis fósseis no acordo global. A sugestão de realizar futuramente um workshop ou reunião ministerial para discutir o tema foi considerada insuficiente por especialistas. Agora, com a retirada completa de qualquer referência aos combustíveis fósseis, o tom das críticas se intensificou. “Apesar de muitos países apoiarem rotas claras para superar a dependência de combustíveis fósseis e do impulso dado pelo presidente do Brasil, as palavras ‘combustíveis fósseis’ simplesmente desapareceram do rascunho. Isso representa uma traição à ciência e às pessoas, principalmente as mais vulneráveis, além de ser incoerente com o compromisso de limitar o aquecimento a 1,5°C”, afirma a carta divulgada pelos cientistas. De acordo com os especialistas, não há possibilidade de cumprir metas de segurança climática sem uma eliminação gradual dos combustíveis fósseis e sem o fim do desmatamento. Eles pedem que, nas horas finais de negociação, as delegações restituam ao texto diretrizes claras para uma transição energética compatível com as evidências científicas. O documento é assinado por Carlos Nobre (Painel Científico para a Amazônia), Fatima Denton (United Nations University), Johan Rockström (Potsdam Institute for Climate Impact Research), Marina Hirota (Instituto Serrapilheira), Paulo Artaxo (USP), Piers Forster (University of Leeds) e Thelma Krug, presidente do Conselho Científico da COP30. Fonte: OGLOBO