Mundo Cientistas encontram raríssima flor gigante na Indonésia, e biólogo chora após busca por mais de uma década Redação26 de novembro de 2025022 visualizações Uma expedição científica em Sumatra, na Indonésia, registrou um dos achados botânicos mais raros dos últimos anos: um exemplar da Rafflesia hasseltii, espécie de flor gigante e parasita que raramente é encontrada na natureza. A descoberta emocionou o biólogo indonésio Septian “Deki” Andrikithat, que buscava a planta havia 13 anos. Um vídeo divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira mostra o momento em que o pesquisador cai de joelhos e chora ao ver o botão desabrochando. A Rafflesia hasseltii é conhecida por sua extrema raridade e dificuldade de localização. Até hoje, grande parte das referências disponíveis sobre a espécie vem de ilustrações do século 19, já que poucos cientistas conseguiram observá-la em seu habitat natural. O botânico britânico Chris Thorogood, professor associado da Universidade de Oxford e responsável por registrar as imagens, destacou que a flor é tão incomum que “já foi vista mais vezes por tigres do que por humanos”. Segundo Thorogood, a equipe percorreu a mata densa por dois dias, em caminhadas contínuas durante o dia e à noite, até localizar a planta. O desabrochar ocorreu durante a madrugada, permitindo que os pesquisadores registrassem pela primeira vez a abertura completa da flor. Ele descreveu a experiência como “algo de outro planeta”, citando a singularidade do momento de observação silenciosa diante da espécie. A raridade da Rafflesia hasseltii se explica por seu ciclo de vida: o botão pode levar até nove meses para se desenvolver e permanece aberto apenas por alguns dias. Totalmente parasita, a planta se instala dentro de cipós tropicais e emerge exclusivamente para florescer — processo que dura cerca de uma semana. O exemplar encontrado tem dimensões semelhantes às de uma melancia. Além da aparência peculiar, a flor exala um odor característico associado à decomposição, estratégia usada para atrair moscas responsáveis pela polinização. O cheiro, no entanto, é menos intenso que o de outras espécies do gênero, como a Rafflesia arnoldii, considerada a maior flor do mundo e conhecida popularmente como “flor-cadáver”. A descoberta contribui para o registro científico da espécie e reforça a importância de ações de conservação das florestas tropicais do Sudeste Asiático, onde estão as últimas populações conhecidas das Rafflesias. Fonte: OGLOBO