Comando Vermelho no Amazonas: esquema com empresas de fachada e servidores públicos movimentava milhões

Um esquema estruturado pelo Comando Vermelho (CV), com a colaboração de agentes públicos, atuava no Amazonas para trazer drogas da Colômbia e distribuí-las em território nacional. A rede criminosa utilizava empresas de fachada e tinha acesso a informações sigilosas sobre investigações da polícia, segundo a Polícia Civil do Amazonas.

Nesta sexta-feira (20), a corporação deflagrou operação com 23 mandados de prisão em seis estados. Até o momento, 14 pessoas foram detidas, incluindo a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, três ex-assessores de vereadores e um servidor do Tribunal de Justiça.

A investigação começou após a apreensão de 500 tabletes de skunk e a prisão de um homem em flagrante. Na ocasião, foram encontrados um carro utilitário, duas embarcações, sete fuzis e celulares utilizados no transporte da droga.

Durante o inquérito, a polícia identificou uma cadeia de comando organizada, com operadores logísticos, financiadores e colaboradores divididos em núcleos com funções específicas. A estimativa é que o grupo movimentou cerca de R$ 70 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018.

Para facilitar o tráfico, a facção criou empresas de fachada nos ramos de transporte e locação, usadas para ocultar a movimentação financeira e dar cobertura logística ao transporte das drogas. Veículos eram alugados em nome de terceiros para dificultar rastreamentos. Há indícios também de tentativas de acesso a informações sigilosas sobre investigações policiais e judiciais.

Presos no Amazonas

  • Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas
  • Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa
  • Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus
  • Alcir Queiroga Teixeira Júnior – ligado a movimentações financeiras suspeitas
  • Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar
  • Osimar Vieira Nascimento – policial militar
  • Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema
  • Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara

As investigações sobre a participação individual de cada alvo ainda estão em andamento. O Tribunal de Justiça do Amazonas afirmou que tomou medidas administrativas em relação ao servidor citado. A Universidade do Estado do Amazonas ressaltou que não se responsabiliza por atos praticados fora das atividades acadêmicas. A Polícia Militar informou que o cabo preso responderá a processos administrativos e judiciais. A Prefeitura de Manaus destacou que nem o prefeito nem a administração municipal estão envolvidos.

Fonte: G1

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