Comércio popular de SP tem mais de 11 mil vagas em aberto e enfrenta crise inédita de mão de obra

Vitrines que antes anunciavam promoções e liquidações agora estão tomadas por papéis com dizeres como “precisa-se de vendedora”, “ajudante geral” ou “balconista”. Em pleno aquecimento para o segundo semestre, o comércio popular de São Paulo — especialmente nos bairros do Brás e Bom Retiro — vive uma escassez de mão de obra sem precedentes.

Segundo estimativas da Associação de Lojistas do Brás (Alobrás), são cerca de 10 mil vagas abertas na região. No Bom Retiro, a Câmara de Dirigentes Lojistas aponta mais de mil oportunidades não preenchidas.

A urgência levou comerciantes a buscar apoio institucional. Em reunião recente com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, lojistas pediram apoio do Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (Cate) para estruturar campanhas de contratação.

“Estamos em uma corrida antecipada. Se deixarmos para setembro, como de costume, não vamos conseguir preencher essas vagas. Hoje, o trabalhador autônomo vê mais vantagem que um CLT. A escala 6×1 também afasta os mais jovens”, afirmou Lauro Pimenta, vice-presidente da Alobrás.

As funções mais buscadas incluem vendedor, caixa, cortador, passadeira, repositor, overloquista, gerente e até funções administrativas e de marketing digital. Em algumas lojas, como relata a comerciante Dunia Saed, as vagas permanecem abertas o ano todo devido à alta rotatividade e baixa adaptação dos candidatos.

A comerciante Sandra Maria da Silva, por exemplo, foi forçada a fechar sua loja no Brás neste ano após não conseguir manter equipe suficiente para operar. “Oferecia R$ 2.500, mas os funcionários não duravam duas semanas”, diz.

Já na Rua José Paulino, no Bom Retiro, o cenário se repete. O g1 percorreu mais de 40 lojas com placas de “contrata-se”. A estimativa da Câmara de Dirigentes Lojistas local é de que duas em cada três lojas estejam com carência de pessoal.

O que explica essa escassez?

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,8% no segundo trimestre de 2025, segundo o IBGE — a menor da série histórica. Para a economista Vivian Almeida, do Ibmec, a queda no desemprego gera maior seletividade dos trabalhadores.

“Com mais opções, as pessoas passam a buscar condições melhores de trabalho, seja em renda, benefícios ou flexibilidade”, explica.

Mercado aquecido

De acordo com o Novo Caged, o estado de São Paulo registrou mais de 40 mil novos empregos com carteira assinada em junho. No acumulado de 2025, já são 349 mil novos postos formais — o que pressiona ainda mais o mercado e impõe desafios aos setores que tradicionalmente contratam com salários mais baixos e alta rotatividade.

No comércio paulistano, a sensação é de que o mercado de trabalho virou, e agora é o empregador quem precisa se adaptar para atrair e reter profissionais.

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