Brasil Comissão ligada ao Ministério da Saúde barra inclusão de Wegovy, Ozempic, Saxenda e similares no SUS Redação22 de agosto de 2025077 visualizações A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), ligada ao Ministério da Saúde, decidiu nesta semana não incorporar medicamentos à base de semaglutida e liraglutida ao Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os pontos citados pelo órgão estão o alto custo e a necessidade de uso contínuo dessas medicações. Os pedidos avaliados envolviam: Semaglutida (presentes em Ozempic e Wegovy) para pacientes com obesidade grau II e III, acima de 45 anos e com doença cardiovascular; Liraglutida (Saxenda) para pacientes com obesidade e diabetes tipo 2. Apesar de aprovados no Brasil, o custo estimado de R$ 1 mil por caneta aplicadora levaria a um gasto de R$ 4,1 bilhões em cinco anos, podendo chegar a R$ 6 bilhões em casos de tratamento contínuo. A Conitec também destacou que o SUS já oferece alternativa cirúrgica, a cirurgia bariátrica, para controle da obesidade. Reações e alternativas A decisão gerou preocupação entre especialistas. A endocrinologista Maria Fernanda Barca, da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), alerta que a medida limita o acesso de pacientes de baixa renda a tratamentos eficazes para obesidade e diabetes, doenças que impactam o risco cardiovascular e podem gerar complicações graves como AVCs e cirrose hepática. Segundo Barca, medicamentos como liraglutida e semaglutida trazem benefícios adicionais, incluindo redução da inflamação, proteção ao fígado e efeitos positivos sobre a cognição. No SUS, alternativas como a sibutramina são limitadas ou contraindicadas para pacientes com problemas cardiovasculares, deixando os pacientes dependentes de tratamentos pagos do próprio bolso. Produção nacional A decisão da Conitec ocorre semanas após o Ministério da Saúde anunciar parceria com a Fiocruz e a farmacêutica EMS para produzir canetas de semaglutida e liraglutida no Brasil, como Olire, já disponível no mercado privado. A farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, reforçou que o medicamento é seguro, eficaz e custo-efetivo, mas reconheceu os desafios do subfinanciamento do SUS e das restrições orçamentárias para sua incorporação. Fonte: G1