O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, adotou novas medidas de segurança para se proteger de um eventual ataque militar dos Estados Unidos, segundo relatos de pessoas próximas ao governo venezuelano ouvidas pelo New York Times. As fontes descrevem um clima de tensão no núcleo chavista e afirmam que Maduro acredita ser capaz de resistir ao cenário mais grave de ameaça ao seu governo em mais de uma década.
De acordo com os relatos, Maduro passou a alterar com frequência seus locais de descanso e seus celulares, com o objetivo de dificultar monitoramento e reduzir riscos de ações cirúrgicas. As precauções teriam sido intensificadas após os EUA reunirem navios de guerra no Caribe e destruírem embarcações acusadas de envolvimento com tráfico de drogas.
Para evitar possíveis traições internas, o líder venezuelano também ampliou a presença de agentes cubanos em seu esquema de segurança pessoal e reforçou a atuação de oficiais de contraespionagem de Cuba dentro das Forças Armadas da Venezuela.
Em público, Maduro tenta demonstrar normalidade, participando de eventos sem aviso prévio, gravando vídeos para redes sociais e aparecendo em atos de militância. Segundo as fontes, essa postura contrasta com o temor real de uma intervenção norte-americana.
As informações foram fornecidas por sete pessoas sob anonimato. O Ministério da Comunicação da Venezuela não respondeu aos questionamentos do New York Times.
O governo dos EUA acusa Maduro de comandar um esquema de narcotráfico — uma narrativa que, segundo especialistas, está ligada ao desejo de setores do governo Trump de impulsionar uma mudança de regime. Mesmo com discurso duro, Trump manteve contato com Maduro e chegou a discutir possibilidades de transição política.
Relatos indicam que enviados de ambos os lados discutiram condições nas quais Maduro poderia deixar o poder, incluindo referendo revogatório em 2027. As conversas, no entanto, não resultaram em acordo, e Washington aumentou a pressão militar.
A crise interna venezuelana intensificou rotinas de discursos e aparições públicas do presidente, embora muitas delas tenham sido substituídas por vídeos gravados e eventos inesperados. Em ato recente, Maduro mudou a rota de última hora antes de comparecer a um comício e voltou a minimizar riscos, afirmando que o país vive momentos de “paz”.
Ao longo dos últimos 12 anos, o chavista acumulou sobrevivência política em meio a protestos, colapso econômico, tentativas de golpe e desgaste institucional. Sua trajetória, marcada por erros públicos e forte rejeição, evoluiu para um exercício de controle absoluto das estruturas do Estado, de acordo com analistas.
Especialistas afirmam que sua permanência no poder se sustenta por uma combinação de repressão, alianças militares e uso estratégico da máquina pública. A crise atual, porém, evidencia que sua maior vulnerabilidade é política: a perda de legitimidade após ignorar o resultado da eleição presidencial do ano passado.
Fonte: OGLOBO