Banco Central Copom deve iniciar corte de juros após quase dois anos, mas petróleo impõe cautela Redação18 de março de 202602 visualizações O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) com expectativa de iniciar o ciclo de redução da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano. A maior parte do mercado financeiro projeta um corte de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, o que representaria a primeira diminuição dos juros desde maio de 2024 — quase dois anos. Principal instrumento para conter a inflação, a taxa básica de juros impacta diretamente o crédito, o consumo e, sobretudo, o custo de vida da população mais vulnerável. O início da flexibilização monetária ocorre em meio a incertezas externas, principalmente pela guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo de cerca de US$ 72 para mais de US$ 100 por barril. A disparada da commodity já pressiona os combustíveis no Brasil, mesmo sem anúncio oficial de reajustes pela Petrobras, e contribuiu para a alta nas projeções de inflação para 2026. Diante desse cenário, analistas reduziram a expectativa de um corte mais intenso nesta reunião. Sem o impacto do conflito, economistas projetavam redução de 0,5 ponto percentual, para 14,5% ao ano. O Itaú revisou sua estimativa para um corte menor, citando “incerteza mais elevada e um balanço de riscos menos favorável” associado à forte alta do petróleo. A equipe de macroeconomia da ASA também passou a prever uma redução de 0,25 ponto, indicando um início de ciclo de flexibilização mais cauteloso. Segundo a análise da ASA, o choque nos preços pode elevar a projeção do Banco Central para o IPCA no horizonte relevante, aproximando-a de 3,6% no terceiro trimestre de 2027, acima do centro da meta de 3%. Ainda assim, o mercado espera continuidade da queda dos juros nos próximos meses, com a Selic podendo chegar a 12,25% ao ano no fim de 2026. As decisões do BC seguem o sistema de metas de inflação. Desde 2025, o objetivo central é de 3%, considerado cumprido se o índice oscilar entre 1,5% e 4,5%. Como a inflação permaneceu acima do limite por seis meses consecutivos até junho, a instituição precisou divulgar carta pública explicando os motivos. Ao definir a taxa, o Banco Central considera projeções futuras, já que mudanças na Selic levam entre seis e 18 meses para produzir efeitos plenos na economia. Atualmente, o foco da autoridade monetária está no horizonte do terceiro trimestre de 2027. Fonte: G1